TIETA CAPITULO 5

CAPITULO 5
AINDA NO CORREIO...
Enquanto, de costas, Carmosina toma da moringa e enche o copo, Elisa curva-se sobre a correspondência, não por manter esperanças, mas por desencargo de consciência.
Carmosina: Botei duas gotas de água de flor. Faz bem pros nervos.
Elisa bebe em pequenos goles
Carmosina: Um envelope cor-de-rosa, lindo, parece que foi ontem. Mandei avisar Ascânio na loja, vocês estavam de lua de mel ainda. Logo apareceu ele com Osnar para pegar a carta. Leu aí nesse balcão, na mesma hora. Na carta Tieta pedia noticias do pai, seu Zé Esteves,das irmãs, de Tonha, se precisavam de uma ajuda. Até colaborei na resposta, se lembra?
Elisa: Se lembro... o Major era vivo, foi ele quem escreveu a resposta no dia seguinte...
Carmosina: Era tão burro que se caísse de quatro comia grama mas tinha a letra bonita... Letra dele mas a redação minha. De lá pra cá nunca mais falhou. Todo mês a carta com o cheque, com o rico dinheirinho ganhando o Agreste todo dia cinco...
Empolgada, dona Carmosina nem sente o mormaço a entrar pelas duas portas, asfixiante. Pensativa, a olhar para Elisa
Carmosina: Nunca demorou tanto... é muito esquisito mesmo.
Elisa percebe, na voz da amiga, inquietante sinal de alarme. Tenta acalmá-la e acalmar-se
Elisa: Lembra aquela vez quando ela estava passeando em Buenos Aires...
Carmosina: Chegou no dia dezessete... dezessete de fevereiro, exatamente. Hoje é dia vinte e oito de novembro. Acha que aconteceu alguma coisa? Doença?
Os olhos pequeninos de dona Carmosina observam Elisa que segura o copo vazio sem encontrar resposta, o choro preso na garganta.
Fim do capitulo 5
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