TIETA CAPITULO 6

CAPITULO 6
Felizmente aparece seu Edmundo, Edmundo Ribeiro, o coletor, enfarpelado, paletó, gravata e chapéu, deseja boa-tarde
Edmundo: Alguma coisa para mim, Carmosina?
Carmosina: Duas cartas, uma do filho, outra do genro... – ri com os lábios descorados, divertida: – Aposto que os dois estão pedindo dinheiro...
O coletor recolhe as cartas, olha através dos envelopes contra a luz, quem pode impedir que dona Carmosina saiba e comente a vida alheia, não passam por suas mãos (e vistas) telegramas e cartas?
Edmundo: Acham que eu aprendi a fazer dinheiro, maldito dinheiro...
Seu Edmundo suspira, sem pressa de abrir os envelopes apesar do desejo de saber dos filhos. Dirige-se a Elisa
Edmundo: Feliz é Zé Esteves, seu pai, Elisa. Tem filha rica que manda em vez de pedir. Comigo é o contrário...
Dona Carmosina relanceia a vista, considera Elisa, informa
Carmosina: Este mês falhou, a carta de Tieta ainda não chegou. Esquisito, não acha, seu Edmundo? Um atraso desse tamanho depois de tanto tempo...
O coletor não esconde a surpresa ao ver um de seus envelopes aberto
Edmundo: (ironico) Acho que não colaram direito esse aqui. Desse jeito ainda compro um computador... Ainda não? Que é que houve Elisa?
Elisa: Só Deus sabe, seu Edmundo. Para mim, ela está viajando, esses passeios que faz todos os anos, de navio...
Carmosina: Cruzeiros marítimos... – esclarece dona Carmosina mas o olhar sob as sobrancelhas ruças exprime dúvida. Seu Edmundo balança a cabeça, não encontra comentário a fazer, retorna à carta do genro.
Elisa despede-se, uma fraqueza nas pernas que nem Astério
Elisa: Obrigada, Carmosina.
Carmosina: Agora, querida, só terça-feira. (para levantar-lhe o ânimo, não deixá-la partir tão por baixo, acrescenta) Você hoje está uma tetéia. Esse vestido eu ainda não conhecia...
Elisa: Presente de Tieta...
Seu Edmundo suspende a leitura da carta, escapa-lhe o desgosto da notícia
Edmundo: Suzana pegou menino outra vez, oxente...
Elisa reúne forças e comenta
Elisa: Parabéns, seu Edmundo. Quando escrever a Suzi, mande um abraço meu... E as minhas felicidades.
Carmosina: O quinto, não é? O senhor ainda tão moço e já cheio de netos. Bonito, acho isso bonito. – A voz rouca de dona Carmosina, sincera ou gozadora?
Edmundo: Bonito é? Eu é que sei quanto me custa... falta de juízo isso sim.
Carmosina: Que é caro, lá isso é, hoje em dia... E hoje em dia tão fácil de evitar tem pílula, a tal da camisinha. Em Esplanada e na capital, se encontra em qualquer farmácia só pega menino quem quer...
Elisa diz um até breve e sai de volta para casa.
Fim do capitulo 6
Comentários