‘Cada movimento que ele faz é uma alegria’, diz tia de agredido com taco


                Taco de beisebol foi usado em agressão na Livraria
                    Cultura. (Foto: Fabio Braga/Folha Imagem)

Há mais de dois meses internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital das Clínicas de São Paulo, a vida do designer Henrique Carvalho Pereira, de 21 anos, é feita de pequenas vitórias para a família. O jovem sofreu lesões cerebrais após ser agredido com um taco de beisebol dentro de uma unidade da Livraria Cultura, no Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, no dia 21 de dezembro. Ainda sedado, seus familiares tentam estimulá-lo de todas as formas possíveis, e vibram com pequenas reações.

“Cada movimento que ele faz é uma alegria para a família”, disse ao 
G1 nesta quinta-feira (25) a secretária Claudia Carvalho Aguiar, de 43 anos, tia do rapaz. A mãe do rapaz, que trabalha como professora, conseguiu licença do trabalho e visita o filho todos os dias. Claudia vai até o hospital aos fins de semana, mas liga para a irmã diariamente, no fim do horário de visita, para saber como está o sobrinho. “Ele já piscou, já mexeu o pé, já até chorou com uma música, mesmo desacordado.”

O jovem foi levado para o hospital logo após ser agredido. O designer estava agachado, com um livro nas mãos, quando o agressor se aproximou em silêncio e o atacou com golpes na cabeça. A vítima teve traumatismo craniano, e precisou passar por cirurgias para tirar coágulos de sangue formados no cérebro. O suspeito da agressão é um personal trainer de 38 anos, que foi preso. 

Apesar da demora na recuperação, a família tem esperanças de que ela ocorra. “A gente acredita que ele volte ao normal, porque ele é jovem. Alguns médicos nos dão esperança. Eles dizem que ele escuta. Se a gente pergunta e ele está ouvindo, o Henrique mexe o globo ocular, mesmo com o olho fechado. Uma vez, ele virou a cabeça para o lado de onde estava o pai, mesmo quando o pai se moveu pelo quarto”, disse Claudia.

Para estimular a recuperação, ela já utilizou um dos trabalhos do sobrinho: uma vaca da Cow Parade. A obra do jovem está exposta na Avenida Brigadeiro Luís Antônio, 957, na Bela Vista, região central de São Paulo. Ele usou três cores (vermelho, branco e preto) na “Vaca de Sampa”, que traz desenhos com referência à capital paulista. “Fui lá, tirei foto, gravei um vídeo contando que estava com a vaca que ele fez, e depois levei para ele escutar.” 

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