Grandes empreendimentos prometem mudar a cara da Lapa boêmia


Prédio da estatal Eletrobrás vai ficar perto demais dos Arcos, dizem críticos.
Produtor cultural Perfeito Fortuna festeja chegada da turma do dinheiro.
Patrícia KappenDo G1, no Rio
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O projeto para a Rua Evaristo da Veiga é construir três prédios interligados por corredores (Foto: Divulgação)

A construção de três grandes empreendimentos imobiliários será uma das âncoras do renascimento da região mais boêmia do Rio, a Lapa, no Centro da cidade, conhecida, principalmente, por sua vida noturna.

O impacto da instalação dos três complexos de edifícios, por onde cerca de onze mil funcionários circularão diariamente, fora os clientes será grande. Os donos dos restaurantes da região se planejam para o aumento da freguesia, o que significa mais trabalho e mais faturamento.

Sete prédios no total
O projeto para a Lapa pode acabar saindo do papel antes mesmo da revitalização da Zona Portuária do Rio, um dos principais objetivos do prefeito do Rio, Eduardo Paes.

Uma das empresas que vai se mudar para a Lapa é a Eletrobrás. Ainda não há data para o início da obra, mas a expectativa é de que no terreno, localizado atrás da Fundição Progesso, onde se realizam shows, peças e cursos, subirão duas torres, onde trabalharão os cerca de dois mil funcionários da companhia.

Encravado numa área tombada, os críticos dizem que o futuro prédio da Eletrobrás  poderá destruir mais do que ajudar a respeitável Lapa, já que o gabarito poderá chegar a 44 andares. Eles alertam que a estatal ficará perto demais dos veneráreis Arcos da Lapa e da Catedral Metropolitana, um prédio para o qual os arquitetos costumam fazer cara feia. 

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Os edifícios devem ter 16 pavimentos em 57 metros de altura (Foto: Divulgação)

Sob o ponto de vista dos críticos, haveria mais uma ameça. Do outro lado dos Arcos, na Rua Evaristo da Veiga, serão derrubadas 14 casas antigas - todas sem valor arquitetônico e nenhuma delas tombada.

O Grupo Opportunity, que comprou a área, vai transformar o terreno em um grande canteiro de obras para erguer ali três prédios.

O projeto prevê a instalação dos três edifícios interligados, numa área privativa de 53 mil m². "É um espaço para grandes escritórios", disse Jomar Monnerat, gestor do fundo imobilário da empresa. Outro responsável pelo projeto, Ronaldo Pinto de Oliveira, afirma que é uma opção para empresas que planejavam ir para a Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio.

"No Centro temos transporte, uma infraestrutura melhor. No prédio, há possibilidade de uma empresa alugar uma sala de 3,9 mil metros quadrados, se quiser", completou.

Pronto para a Copa
O arquiteto do empreendimento, Edmundo Musa, explicou que o pavimento térreo contará com jardins e área interna onde podem ser instalados restaurantes e lojas. "Será um espaço privado, mas aberto ao público", disse.

A garagem dos edifícios terá três andares, com uma capacidade para 500 veículos cada. Sete mil pessoas devem circular pelos corredores e pelos 23 elevadores dos três edifícios. A previsão é de que a planta saia do papel em 2011, com a obra terminada para a Copa do Mundo, em 2014. 

"As salas só serão alugadas, não vamos vender nada, para que ninguém compre e deixe o lugar parado, aguardando a especulação imobiliária. É para o uso imediato", disse Ronaldo.

Com previsão de conclusão já em 2010, o terceiro empreendimento que promete dar ainda mais movimento humano à luz do dia na Lapa está em andamento na Rua dos Inválidos. Um complexo com quatro blocos divididos em dois prédios com um total de 185 mil m² de construção. Só de vagas na garagem serão 1,7 mil.

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