TIETA CAPITULO 7

CAPITULO 7
Elisa atravessa a feira barulhenta, em direção à casa de Perpétua pensativa. Não sente o peso do olhar do árabe, não lhe alisa a bunda a mirada de nenhum moleque nem lhe fere o ouvido o assovio do mendigo. Doença, insinuara Carmosina, para não falar no pior. Morta, sim. Elisa já não duvida, Perpétua sabe o que diz aquele “bacalhau seco” tem razão.
DE VOLTA AO CORREIO...
Há vinte e três anos na agência dos Correios da cidade, dona Carmosina emite julgamentos definitivos sobre pessoas e fatos
Carmosina: Moça boa e séria está aí, seu Edmundo. Conheço Elisa desde menina, sempre direita, cumpridora. Faz tudo no capricho. Trabalhadeira, a casa dela é um brinco e gosta de se vestir, de se arrumar, não é como outras por aí, que vivem no desmazelo. Só que agora, pobrezinha...
Seu Edmundo, para melhor ouvir, interrompe a leitura da carta do filho estudante
Edmundo: A senhora desconfia do orquê da demora?
Carmosina: Se Tieta não morreu, deve estar muito doente e não quer que ninguém sinta pena dela. O marido dela bem que podia desobedecer e dar notícia mas ele nunca quis conversa com os parentes daqui. Vou aconselhar Elisa ou Perpétua a mandar um telegrama.
De volta à carta, o coletor explica
Edmundo: Idiota! Imbecil! Só serve para isso... Como fiu botar um traste desse no mundo?
Carmosina: O que é que Leléu fez dessa vez que deixou o senhor tão aperreado, seu Edmundo?
Edmundo: Pegou uma carga de gonorréia; desculpe, Carmosina, quero dizer blenorragia, e pede dinheiro urgente para médico e remédios... Tomara que fique sem o “dito cujo”, feito um boi capão pra aprender.
Carmosina: Com duas doses de penicilina fica bom. É tiro e queda. Tratamento barato, nem precisa de médico. Já ouvi Osnar comentando essas receitinhas com Amintas.
Dona Carmosina lê os jornais, antes de entregá-los, sabe do que vai pelo mundo, entende de cinema, política, ciência. Acumula o cargo nos Correios com a representação de A Tarde, da Bahia, de revistas do Rio e de São Paulo.
Carmosina: Coitada de Elisa, ficou tão transtornada, nem levou as revistas, depois deixo na casa dela.
Separa a carta endereçada a Ascânio Trindade pois o vê do outro lado da rua; carta de Máximo Lira, um amigo da capital, sem interesse. Antigamente, sim, tão romântico: quando Astrud escrevia cartas de amor e Ascânio em resposta enchia laudas de juras e saudades. Um poeta, Ascânio, pena não escreva versos, seriam lindos. Retorna dona Carmosina ao silêncio de Tieta
Carmosina: Quer saber minha opinião, seu Edmundo? Tieta já não pertence mais a este mundo. Mortinha da silva. Infelizmente...
Fim do capitulo 7
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