Em vídeo, suspeito indica local onde enterrou corpos de jovens desaparecidos
Seis jovens sumiram de Luziânia (GO) entre dezembro e janeiro passados.
Pedreiro teria cometido crimes após ter prisão por pedofilia relaxada.
Pedreiro teria cometido crimes após ter prisão por pedofilia relaxada.
Gravações obtidas com exclusividade pelo Fantástico mostram o pedreiro Admar de Jesus, apontado pelo assassinato de seis jovens que desaparecerem em Luziânia (Goiás), entre dezembro do ano passado e janeiro deste ano, indicando os locais onde enterrou os corpos. O pedreiro foi preso neste sábado (10). Os policias chegaram até ele porque um parente do pedreiro estava usando o celular de uma das vítimas.
“Um tá aqui, só um aqui, nesse cantinho aqui, ó”, diz o suspeito para os policiais, apontando o local onde teria enterrado uma das vítimas. “Tem dois ali, no córrego, ali. Tem um ali assim e outro ali assim. Tem seis aqui”, continua na gravação. “Os seis estão aqui?", pergunta o policial. “Tão”, reponde o pedreiro.
Os corpos dos seis jovens foram encontrados, em uma fazenda em Luziânia, cidade a 70 km de Brasília. Eles estavam enterrados no fundo de um vale próximos uns dos outros num raio de 300 metros.
Diego, de 13 anos, foi o primeiro a desaparecer, no dia 30 de dezembro do ano passado. Depois sumiram Paulo Victor, de 16 anos, George, de 17, Divino, de 16, Flávio, de 14 e, no fim de janeiro, Márcio Luiz, de 19 anos.
“Ele oferecia pequena quantia em dinheiro para que os menores, os adolescentes os acompanhassem para realizar um pequeno serviço e daquele pequeno serviço, a conversa evoluia para o contato sexual", disse o chefe do Departamento de Polícia Judiciária de Goiás, Josuemar Vaz de Oliveira.
Admar já havia ficado preso em Brasília por mais de quatro anos por pedofilia. Ele foi solto em dezembro do ano passado, beneficiado pela progressão de pena, direito dado a presos de bom comportamento. Apesar de um laudo psiquiátrico atestar que ele apresentava sinais de psicopatia. Uma semana depois fez primeira vítima.
Para o ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, houve falha na soltura de Admar. “Não posso dizer, identificar quem especificamente falhou, mas há uma falha desse sistema de reintegração social. Nós precisamos corrigir", afirmou. Foram quase três meses e meio entre o primeiro assassinato e a prisão de Admar.
“Houve uma resposta, a resposta de esclarecimento e, mais do que tudo, a oportunidade de punir esse cidadão, retirá-lo do convívio social para que ele não volte mais a praticar crimes dessa natureza", disse o ex-secretário de segurança de Goiás Ernesto Roller.
Houve uma resposta, a resposta de esclarecimento e, mais do que tudo, a oportunidade de punir esse cidadão, retirá-lo do convívio social para que ele não volte mais a praticar crimes dessa natureza
“É horrível saber que ele não vai voltar mais pra casa”, disse dona Aldenira, mãe de Diego. “A gente imaginou que Luziânia inteira ia fazer uma festa, e não um velório", afirmou Lúcia Maria Souza Lopes, irmã de Márcio.
Caso
Os seis jovens que desapareceram tinham em comum o fato de morarem todos no mesmo bairro, o Parque Estrela D’Alva. No início das investigações, a polícia chegou a considerar os desaparecimentos como caso de sequestro para trabalho escravo.
A Polícia Federal só entrou no caso depois da intervenção do então ministro da Justiça, Tarso Genro, e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
Comentários