O martirio do Boca Juniors


Nos últimos dias o Boca Juniors completou 105 anos de uma bela história, quiçá uma das mais belas do futebol mundial, principalmente pela relação de pertencimento entre o clube e o seu bairro. Um é parte do outro, para resumir tudo o que significa o la_bombonera_1clube na vida dos bosteros, e acima de tudo dos moradores de La Boca, cito o escritor argentino e praticamente vizinho do La Bombonera, Rúben Ponziolo. “Primeiro sou Boca, depois sou de La Boca, e por último sou argentino”.
No entanto, no último domingo esta relação explodiu. Os torcedores xeneizes não aguentaram mais a decadência da equipe nos últimos torneios e a série de derrotas no Clausura, e atacaram desde jogadores a dirigentes. Mas, porque um elenco que tem Riquelme, Palermo & Cia. sofre uma das maiores crises dos últimos anos, ou como Palermo disse: “dos últimos 10 anos”?
Para muitos torcedores, desde a saída do ex-presidente Mauricio Macri, a equipe não conseguiu engrenar, e as decepções xeneizes apareceram. Concordo com a colocação, mas não Carlos-Bianchi-1somente pelos méritos do prefeito de Buenos Aires, mas pela herança deixada pelo ex-presidente no clube.
Em sua gestão, de dezembro de 1995 até janeiro de 2008, quando deixou o clube para assumir a prefeitura de Buenos Aires, o Boca Juniors conquistou 6 títulos nacionais e 10 títulos internacionais. Fato incontestável, e que deve ser lembrado com muito orgulho pelos torcedores xeneizes, já que o clube é o maior vencedor de títulos internacionais, junto com o Milan, ao todo, são 18.
Mas foi em sua gestão também que as dívidas do clube aumentaram em mais de 5 vezes. Quando assumiu, o clube estava em um processo de ressurgimento, após quase ter tido sua quebra decretada nos anos 80. Década em que a equipe chegou a ter de atuar em outros estádios por não ter dinheiro para manter a mística La Bombonera. A dívida era de apenas 15 milhões de pesos e sua promessa foi: “Acabarei com a reeleição indefinida, somente haverá uma reeleição. Eu estarei no Boca por 3 anos, se tiver energia ficarei outros 3 e depois virá outra pessoa”.
Promessa não cumprida pelo empresário, que promoveu a reforma no estatuto do clube e aumentou de 3 para 4 anos o mandato e dentre outras coisas conseguiu a aprovação de uma cláusula que impedia qualquer sócio do clube em ser presidente. A partir de então, somente quem tivesse patrimônio de no mínimo 20% correspondente ao patrimônio do clube poderia ser presidente.
Esse continuismo forçado no clube, fez com que a dívida de ativos saltasse de 15 milhões de pesos em 1995 para 71.001.489 de pesos na temporada 2006/07 e ultrapasse a barreira dos 100 milhões de pesos na temporada 2007/08, quando deixou a presidência do clube.riquelme-de-olho1
Em seu lugar assumiu Pedro Pompílio, vice-presidente durante todos estes anos, ficou até o final de 2008, quando faleceu e deu lugar a Amor Ameal. A gestão se manteve a mesma, e as dívidas continuaram a crescer, principalmente pelos altos salários pagos a jogadores como Riquelme, Palermo e ao manager do clube Carlos Bianchi. Investimento que não teve recompensa, desde então, o Boca conquistou apenas 1 campeonato, foi eliminado prematuramente na Taça Libertadores em 2009 e não conquistou vaga para a competição de 2010. Um duro golpe para o clube em que as dívidas não param de crescer.
Resultado, uma equipe totalmente desestruturada, com inúmeras brigas internas, movidas por dois grupos: o primeiro conduzido por Riquelme e outro por Palermo. E um péssima campanha no campeonato nacional, que deixa a equipe ainda mais longe da Libertadores 2011. Já que para conquistar a vaga terá de ser campeão do Apertura, fato totalmente impensado no atual momento xeneize.

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