Justiceiro capitulo 1

Capítulo 01
“SOLIDÃO”
Espiral da Perdição - Parte I
Ao contrário do que se costuma pensar, o trabalho de um assassino depende essencialmente de paciência. Colher informações e estudar o alvo são fases fundamentais nessa atividade. As pessoas imaginam que é só chegar atirando e explodindo tudo. Não é tão simples, se você fizer questão de sair vivo do serviço. As operações de assalto propriamente ditas, por mais decisivas que possam ser, raramente têm sucesso se não forem precedidas de um bom planejamento.
É isso que Frank ou Francisco Castilho faz hoje na solidão de sua casa. Espera. A noite é gélida e sem luar, contrastando com o sol escaldante da tarde que passou. "Um calor desgraçado de dia, e um frio miserável à noite. "Pelo menos agora, com a temperatura mais baixa, ele pode usar sua tradicional roupa negra sem sofrer com o clima quente. A aridez da paisagem imutável é justamente o oposto do ambiente eufórico da cidade cujas luzes brilham a cinqüenta quilômetros dali: o Rio de Janeiro.
Não há muito o que fazer. A única companhia para Frank é um escorpião que ele prendeu em uma caixa vazia de munição. De vez em quando o vigilante solta o animal e o observa atacar com ferocidade suas luvas. Os dois são parecidos. Ambos são pequenos diante das ameaças que enfrentam, e têm que apelar para artifícios mortíferos na luta pela sobrevivência. Ambos são caçadores solitários. Mal humorado, o veterano mata o tempo olhando o aracnídeo que escala seus dedos lentamente, tentando escapar do jugo de seu captor. "Nada como as pequenas distrações da vida para nos fazer esquecer dos grandes problemas", diz ele para a diminuta criatura.
O Justiceiro passou todo o fim de semana espreitando uma faixa de terra no meio do nada, usada como pista de pouso clandestina para pequenos aviões. Durante o dia ele dorme no seu carro confortável, um Opala preto 1990 que comprou numa loja de usados, se valendo de documentos falsos. O veículo está a quase um quilômetro de distância, junto a uma encosta e escondido por arbustos secos. Tudo que é necessário para uma boa tocaia está ali: comida enlatada, garrafas térmicas, um pequeno fogareiro, saco de dormir e um livro que Frank vive prometendo para si mesmo que, um dia, vai terminar de ler. E armas, é claro.
As noites foram passadas em vigília sob uma barraca militar camuflada, na descida de uma colina com vista privilegiada da área. O binóculo sempre à mão, ele mantém assim um vasto terreno sob controle.
Por algum tempo o Justiceiro temeu que Jeremias Caldeira, o Jimmy "Lips" tivesse mentido. Segundo o marginal informara, o contrabandista Alberto Neves recebeu uma encomenda grande de algum milionário do Paraguai. "Lips" não soube informar o dia exato da chegada da mercadoria, mas conhecia a pista de pouso usada por Alberto em suas operações. Ele lhe disse que a entrega seria feita nesse fim de semana, provavelmente à noite. "Se o avião não chegar hoje, juro que desenterro Jimmy só pra ter a satisfação de atirar no desgraçado de novo", pensou Frank.
Alberto é o sujeito certo para transportar qualquer coisa ilegal que se precise: sejam armas, drogas, foragidos da justiça. Ele anda sumido do Rio de Janeiro desde que soube que o Justiceiro estava atrás dele. Infelizmente, isso não quer dizer que tenha deixado o mundo do crime; apenas mudou de cidade e passou a agir com mais discrição. Agora que tem uma pista, Frank não pretende desperdiçar a oportunidade para encontrá-lo.
A espera está próxima do fim. Há três horas uma Pickup, uma Van e um Land Rover pararam perto da pista. Pelo binóculo é possível ver que são sete homens. "Isso vai ser mais perigoso do que eu pensava. Não imaginei que fosse haver tantos deles. A carga deve ser valiosa. Todos estão armados, pelo menos com pistolas. Vou ter que pegar pesado logo de cara", ponderou Frank.
Eles falam vez ou outra pelo celular. Finalmente, aquele que parece ser o líder dá uma ordem e dois sujeitos começam a acender sinalizadores e espalhar ao longo da faixa de terra, formando uma reta luminosa que se destaca na escuridão da noite.
Após cinco minutos, um bimotor se aproxima voando baixo. O Justiceiro risca um fósforo, acende uma série de bombinhas na barraca e deixa o local, contornando agachado a área, em silêncio, até se posicionar atrás dos contrabandistas. O pavio deve dar-lhe quinze minutos para o deslocamento antes de começar a festa. Esses fogos de artifício têm som parecido com tiros de pistola e vão servir para distração. "Até os otários perceberem que estão atirando para lugar nenhum, já vou estar tão perto que os miseráveis vão sentir o meu hálito no pescoço deles".
O piloto tem experiência nesse tipo de vôo. Ele pousa adiante, dá a volta e retorna com a aeronave, parando quase em frente aos carros. Frank rasteja para mais perto, o fuzil acomodado sobre os braços. Esse é um momento especialmente arriscado, pois ele já está próximo o bastante para que os criminosos o ouçam se fizer algum barulho. Dois homens desembarcam e conversam com os colegas."Não parecem preocupados com a polícia. Ninguém está vigiando a área em volta. Estão concentrados apenas no avião. O motor ficou ligado, quer dizer que pretendem decolar rápido. Por que vieram tantos, afinal? O que diabos estão trazendo ali"?
Os pensamentos do vigilante são interrompidos pelo barulho das bombinhas. Infelizmente o pavio ressecou com o calor do deserto e elas começaram a explodir antes de Frank alcançar a posição de tiro ideal. De qualquer forma, a idéia deu certo. Os bandidos se voltam para a colina e enxergam a barraca, iluminada por uma série de estampidos na noite. Eles pensam que estão sendo alvejados por um franco-atirador e se protegem atrás dos carros e do avião, ficando de costas para o Justiceiro. "Não dá pra reclamar. Preciso aproveitar essa chance e avançar de peito aberto. Tem que ser agora".
O vigilante corre com seu M-16 cuspindo fogo nos contrabandistas que estão atrás do carro mais próximo. Dois são eliminados imediatamente. Antes de chegar à Pickup, os projéteis atravessam os vidros e atingem mais um que estava usando uma porta aberta como escudo. Frank recarrega a munição. Ainda confusos, os marginais pensam que estão sendo atacados por ambos os lados e hesitam. Eles atiram a esmo e são liquidados por Frank com disparos curtos e precisos.
Três deles correm para o avião. Um homem é atingido pela arma do próprio colega, perde o equilíbrio e acaba colhido por uma das hélices. O sangue banha seu amigo incompetente, que fica no chão gritando, em estado de choque. "Ótimo. É esse que eu vou manter vivo pra interrogatório".
Agora apenas um baixinho de bigode dá mais trabalho, encurralado atrás do Land Rover. Ele aciona sua pistola freneticamente, não dando chance para Frank sair de trás da Van.
— VEM, DESGRAÇADO! MOSTRA A TUA CARA AQUI! APARECE! TOMA! VEM, VEM! — grita ensandecido, entre um tiro e outro.
As balas do fuzil já acabaram. Frank saca a pistola, deita no chão e atinge uma perna por baixo do carro. O sujeito tomba na terra árida — Você fala demais, vagabundo! — e ele completa o serviço com um tiro de misericórdia.
Agora só falta um bandido, provavelmente o piloto, que se refugiou no avião. "Não posso dar tempo pro safado levantar vôo". O Justiceiro entra pela porta do bimotor com um salto, rezando para que sua roupa absorva o impacto do tiro, se o contrabandista o estiver esperando. Surpreendentemente ele é jogado para fora por alguma coisa grande que o atinge em cheio. No solo do deserto, Frank luta com o que parece ser um animal fora de controle. Os dois ficam engalfinhados, rolando no chão, até que o vigilante consegue jogar seu adversário longe com um impulso das duas pernas. O agressor bate as costas contra a fuselagem do avião. Frank se levanta já com a pistola apontada para o vulto, pronto para descarregar o pente de munição.
"Puta que o pariu! Mas o q..."
Incrédulo, ele vê sob a luz tênue dos faróis uma delicada jovem, desacordada. Ela deve ter uns dezesseis anos, pálida, magra, com sardas no rosto e olheiras. Veste uma calça jeans com um rasgo no joelho e uma camiseta desbotada com a foto da Britney Spears. Por baixo da aparência maltratada e coberta de poeira da menina, é possível enxergar uma beleza que contrasta com a fúria daquele ataque. Sua fragilidade aparente salta aos olhos, feito uma flor que nasce no solo árido do deserto. "Não dá pra acreditar que foi essa magricela quem me deu esse susto", pensa o herói. A violência da investida foi tamanha que chegou a rasgar seu casaco, que estava agora todo esfarrapado. O Kevlar, no entanto, o protegeu da agressão.
Frank fica ainda mais surpreso quando vê o piloto saindo do avião, usando como escudo humano uma bela moça negra, apavorada, tão nova quanto a outra... Que tem um olho na testa. É a refém mais bizarra com que Frank já se deparou. "Mas que merda está acontecendo aqui"?
— O dinheiro tá no carro. Pode ficar com as piranhas. Me deixa ir embora com o avião, e eu solto essa aqui depois! — berra o criminoso.
Ainda sem entender o que está acontecendo, o Justiceiro se controla. Ele não diz nada, apenas mantém a pistola apontada firmemente para a cabeça do canalha, apenas a três metros dele.
— Será que entrou areia no teu ouvido? Larga a arma ou a anormal aqui vai pagar. E aí? Como é que vai ser? — ameaça o bandido. A menina sua frio e treme sem parar.
Frank se aproxima mais um pouco, ainda tentando clarear a mente mas sem tirar seu alvo da mira. "Ah, como odeio quando eles fazem isso. Detesto situações com reféns! Esse rato imundo me dá nojo".
— EU TÔ AVISANDO, É SÉRIO!! VOCÊ NÃO TÁ ACREDITANDO? — O piloto berra, a saliva espirrando da boca. Ele aperta o cano frio da arma contra a têmpora da jovem. Os três olhos dela estão arregalados de terror, quase saltando das órbitas.
Se o contrabandista fugir, vai matá-la de qualquer jeito. O Justiceiro decide arriscar e grita:
— Você acha que eu me importo com essa aberração? — Frank fala, e logo em seguida dá um tiro que passa zunindo a um palmo do ombro da garota. Ela grita com o susto e se abaixa, abrindo espaço para que a 9mm do vigilante mostre ao bandido como é a sensação de ter um olho no meio da testa. O homem tomba para trás, ainda com aquela expressão surpresa de "não acredito, ele atirou na refém" no rosto.
É isso que Frank ou Francisco Castilho faz hoje na solidão de sua casa. Espera. A noite é gélida e sem luar, contrastando com o sol escaldante da tarde que passou. "Um calor desgraçado de dia, e um frio miserável à noite. "Pelo menos agora, com a temperatura mais baixa, ele pode usar sua tradicional roupa negra sem sofrer com o clima quente. A aridez da paisagem imutável é justamente o oposto do ambiente eufórico da cidade cujas luzes brilham a cinqüenta quilômetros dali: o Rio de Janeiro.
Não há muito o que fazer. A única companhia para Frank é um escorpião que ele prendeu em uma caixa vazia de munição. De vez em quando o vigilante solta o animal e o observa atacar com ferocidade suas luvas. Os dois são parecidos. Ambos são pequenos diante das ameaças que enfrentam, e têm que apelar para artifícios mortíferos na luta pela sobrevivência. Ambos são caçadores solitários. Mal humorado, o veterano mata o tempo olhando o aracnídeo que escala seus dedos lentamente, tentando escapar do jugo de seu captor. "Nada como as pequenas distrações da vida para nos fazer esquecer dos grandes problemas", diz ele para a diminuta criatura.
O Justiceiro passou todo o fim de semana espreitando uma faixa de terra no meio do nada, usada como pista de pouso clandestina para pequenos aviões. Durante o dia ele dorme no seu carro confortável, um Opala preto 1990 que comprou numa loja de usados, se valendo de documentos falsos. O veículo está a quase um quilômetro de distância, junto a uma encosta e escondido por arbustos secos. Tudo que é necessário para uma boa tocaia está ali: comida enlatada, garrafas térmicas, um pequeno fogareiro, saco de dormir e um livro que Frank vive prometendo para si mesmo que, um dia, vai terminar de ler. E armas, é claro.
As noites foram passadas em vigília sob uma barraca militar camuflada, na descida de uma colina com vista privilegiada da área. O binóculo sempre à mão, ele mantém assim um vasto terreno sob controle.
Por algum tempo o Justiceiro temeu que Jeremias Caldeira, o Jimmy "Lips" tivesse mentido. Segundo o marginal informara, o contrabandista Alberto Neves recebeu uma encomenda grande de algum milionário do Paraguai. "Lips" não soube informar o dia exato da chegada da mercadoria, mas conhecia a pista de pouso usada por Alberto em suas operações. Ele lhe disse que a entrega seria feita nesse fim de semana, provavelmente à noite. "Se o avião não chegar hoje, juro que desenterro Jimmy só pra ter a satisfação de atirar no desgraçado de novo", pensou Frank.
Alberto é o sujeito certo para transportar qualquer coisa ilegal que se precise: sejam armas, drogas, foragidos da justiça. Ele anda sumido do Rio de Janeiro desde que soube que o Justiceiro estava atrás dele. Infelizmente, isso não quer dizer que tenha deixado o mundo do crime; apenas mudou de cidade e passou a agir com mais discrição. Agora que tem uma pista, Frank não pretende desperdiçar a oportunidade para encontrá-lo.
A espera está próxima do fim. Há três horas uma Pickup, uma Van e um Land Rover pararam perto da pista. Pelo binóculo é possível ver que são sete homens. "Isso vai ser mais perigoso do que eu pensava. Não imaginei que fosse haver tantos deles. A carga deve ser valiosa. Todos estão armados, pelo menos com pistolas. Vou ter que pegar pesado logo de cara", ponderou Frank.
Eles falam vez ou outra pelo celular. Finalmente, aquele que parece ser o líder dá uma ordem e dois sujeitos começam a acender sinalizadores e espalhar ao longo da faixa de terra, formando uma reta luminosa que se destaca na escuridão da noite.
Após cinco minutos, um bimotor se aproxima voando baixo. O Justiceiro risca um fósforo, acende uma série de bombinhas na barraca e deixa o local, contornando agachado a área, em silêncio, até se posicionar atrás dos contrabandistas. O pavio deve dar-lhe quinze minutos para o deslocamento antes de começar a festa. Esses fogos de artifício têm som parecido com tiros de pistola e vão servir para distração. "Até os otários perceberem que estão atirando para lugar nenhum, já vou estar tão perto que os miseráveis vão sentir o meu hálito no pescoço deles".
O piloto tem experiência nesse tipo de vôo. Ele pousa adiante, dá a volta e retorna com a aeronave, parando quase em frente aos carros. Frank rasteja para mais perto, o fuzil acomodado sobre os braços. Esse é um momento especialmente arriscado, pois ele já está próximo o bastante para que os criminosos o ouçam se fizer algum barulho. Dois homens desembarcam e conversam com os colegas."Não parecem preocupados com a polícia. Ninguém está vigiando a área em volta. Estão concentrados apenas no avião. O motor ficou ligado, quer dizer que pretendem decolar rápido. Por que vieram tantos, afinal? O que diabos estão trazendo ali"?
Os pensamentos do vigilante são interrompidos pelo barulho das bombinhas. Infelizmente o pavio ressecou com o calor do deserto e elas começaram a explodir antes de Frank alcançar a posição de tiro ideal. De qualquer forma, a idéia deu certo. Os bandidos se voltam para a colina e enxergam a barraca, iluminada por uma série de estampidos na noite. Eles pensam que estão sendo alvejados por um franco-atirador e se protegem atrás dos carros e do avião, ficando de costas para o Justiceiro. "Não dá pra reclamar. Preciso aproveitar essa chance e avançar de peito aberto. Tem que ser agora".
O vigilante corre com seu M-16 cuspindo fogo nos contrabandistas que estão atrás do carro mais próximo. Dois são eliminados imediatamente. Antes de chegar à Pickup, os projéteis atravessam os vidros e atingem mais um que estava usando uma porta aberta como escudo. Frank recarrega a munição. Ainda confusos, os marginais pensam que estão sendo atacados por ambos os lados e hesitam. Eles atiram a esmo e são liquidados por Frank com disparos curtos e precisos.
Três deles correm para o avião. Um homem é atingido pela arma do próprio colega, perde o equilíbrio e acaba colhido por uma das hélices. O sangue banha seu amigo incompetente, que fica no chão gritando, em estado de choque. "Ótimo. É esse que eu vou manter vivo pra interrogatório".
Agora apenas um baixinho de bigode dá mais trabalho, encurralado atrás do Land Rover. Ele aciona sua pistola freneticamente, não dando chance para Frank sair de trás da Van.
— VEM, DESGRAÇADO! MOSTRA A TUA CARA AQUI! APARECE! TOMA! VEM, VEM! — grita ensandecido, entre um tiro e outro.
As balas do fuzil já acabaram. Frank saca a pistola, deita no chão e atinge uma perna por baixo do carro. O sujeito tomba na terra árida — Você fala demais, vagabundo! — e ele completa o serviço com um tiro de misericórdia.
Agora só falta um bandido, provavelmente o piloto, que se refugiou no avião. "Não posso dar tempo pro safado levantar vôo". O Justiceiro entra pela porta do bimotor com um salto, rezando para que sua roupa absorva o impacto do tiro, se o contrabandista o estiver esperando. Surpreendentemente ele é jogado para fora por alguma coisa grande que o atinge em cheio. No solo do deserto, Frank luta com o que parece ser um animal fora de controle. Os dois ficam engalfinhados, rolando no chão, até que o vigilante consegue jogar seu adversário longe com um impulso das duas pernas. O agressor bate as costas contra a fuselagem do avião. Frank se levanta já com a pistola apontada para o vulto, pronto para descarregar o pente de munição.
"Puta que o pariu! Mas o q..."
Incrédulo, ele vê sob a luz tênue dos faróis uma delicada jovem, desacordada. Ela deve ter uns dezesseis anos, pálida, magra, com sardas no rosto e olheiras. Veste uma calça jeans com um rasgo no joelho e uma camiseta desbotada com a foto da Britney Spears. Por baixo da aparência maltratada e coberta de poeira da menina, é possível enxergar uma beleza que contrasta com a fúria daquele ataque. Sua fragilidade aparente salta aos olhos, feito uma flor que nasce no solo árido do deserto. "Não dá pra acreditar que foi essa magricela quem me deu esse susto", pensa o herói. A violência da investida foi tamanha que chegou a rasgar seu casaco, que estava agora todo esfarrapado. O Kevlar, no entanto, o protegeu da agressão.
Frank fica ainda mais surpreso quando vê o piloto saindo do avião, usando como escudo humano uma bela moça negra, apavorada, tão nova quanto a outra... Que tem um olho na testa. É a refém mais bizarra com que Frank já se deparou. "Mas que merda está acontecendo aqui"?
— O dinheiro tá no carro. Pode ficar com as piranhas. Me deixa ir embora com o avião, e eu solto essa aqui depois! — berra o criminoso.
Ainda sem entender o que está acontecendo, o Justiceiro se controla. Ele não diz nada, apenas mantém a pistola apontada firmemente para a cabeça do canalha, apenas a três metros dele.
— Será que entrou areia no teu ouvido? Larga a arma ou a anormal aqui vai pagar. E aí? Como é que vai ser? — ameaça o bandido. A menina sua frio e treme sem parar.
Frank se aproxima mais um pouco, ainda tentando clarear a mente mas sem tirar seu alvo da mira. "Ah, como odeio quando eles fazem isso. Detesto situações com reféns! Esse rato imundo me dá nojo".
— EU TÔ AVISANDO, É SÉRIO!! VOCÊ NÃO TÁ ACREDITANDO? — O piloto berra, a saliva espirrando da boca. Ele aperta o cano frio da arma contra a têmpora da jovem. Os três olhos dela estão arregalados de terror, quase saltando das órbitas.
Se o contrabandista fugir, vai matá-la de qualquer jeito. O Justiceiro decide arriscar e grita:
— Você acha que eu me importo com essa aberração? — Frank fala, e logo em seguida dá um tiro que passa zunindo a um palmo do ombro da garota. Ela grita com o susto e se abaixa, abrindo espaço para que a 9mm do vigilante mostre ao bandido como é a sensação de ter um olho no meio da testa. O homem tomba para trás, ainda com aquela expressão surpresa de "não acredito, ele atirou na refém" no rosto.
O cheiro de suor, poeira, sangue e pólvora fica no ar. O saldo do fim de semana: oito mortos; duas garotas ainda não identificadas; um Justiceiro exausto sentado no chão do aeroporto clandestino; US$ 30 mil que estavam em uma maleta no Land Rover; e um covarde coberto de vermelho, histérico há pelo menos cinco minutos, diante do corpo do colega cortado do ombro à cintura pela hélice do avião.
Depois de algum descanso, Frank retoma o fôlego e ajuda a menina quase desfalecida a se levantar.
— Como você está?
— Eu.. eu estou....
— Calma. Esse sangue não é seu. Você não foi baleada. Vai ficar tudo certo.
Como o Justiceiro já desconfiava, Alberto Neves não está entre os mortos. Deve ter preferido ficar no quarto de algum hotel de luxo com uma prostituta, aguardando que seus homens lhe telefonem informando que tudo correra bem. Alberto não é do tipo que tem sujeira debaixo das unhas.
Frank põe as duas jovens no Land Rover, que é o único automóvel com os vidros ainda inteiros, e corre para o Rio de Janeiro. Ele lamenta não poder interrogar as garotas mas ambas têm sinais de estarem dopadas, com tranqüilizante ou coisa pior. Elas precisam de atendimento médico, principalmente aquela que lutou com ele e sofreu uma concussão na cabeça. "O lixo que eu deixei algemado na roda do avião vai ter que servir. Espero que ele saiba o bastante a respeito dessa operação. Para o bem dele".
À medida que se aproxima da cidade, o vigilante sente uma onda de revolta crescendo no seu peito. As luzes dos carros brilham cheias de promessas de prazer. O herói, porém, ignora o brilho das fachadas de neon das boates e o tilintar das máquinas caça-níqueis. Ele só consegue pensar na vulnerabilidade das moças, e na falta de escrúpulos dos homens que as envolveram naquela situação. "Mal posso esperar pra voltar e bater um papinho com aquele miserável", pensa, rangendo os dentes.
Depois de algum descanso, Frank retoma o fôlego e ajuda a menina quase desfalecida a se levantar.
— Como você está?
— Eu.. eu estou....
— Calma. Esse sangue não é seu. Você não foi baleada. Vai ficar tudo certo.
Como o Justiceiro já desconfiava, Alberto Neves não está entre os mortos. Deve ter preferido ficar no quarto de algum hotel de luxo com uma prostituta, aguardando que seus homens lhe telefonem informando que tudo correra bem. Alberto não é do tipo que tem sujeira debaixo das unhas.
Frank põe as duas jovens no Land Rover, que é o único automóvel com os vidros ainda inteiros, e corre para o Rio de Janeiro. Ele lamenta não poder interrogar as garotas mas ambas têm sinais de estarem dopadas, com tranqüilizante ou coisa pior. Elas precisam de atendimento médico, principalmente aquela que lutou com ele e sofreu uma concussão na cabeça. "O lixo que eu deixei algemado na roda do avião vai ter que servir. Espero que ele saiba o bastante a respeito dessa operação. Para o bem dele".
À medida que se aproxima da cidade, o vigilante sente uma onda de revolta crescendo no seu peito. As luzes dos carros brilham cheias de promessas de prazer. O herói, porém, ignora o brilho das fachadas de neon das boates e o tilintar das máquinas caça-níqueis. Ele só consegue pensar na vulnerabilidade das moças, e na falta de escrúpulos dos homens que as envolveram naquela situação. "Mal posso esperar pra voltar e bater um papinho com aquele miserável", pensa, rangendo os dentes.
Continua...
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