Japão tenta conter desastre nuclear e país corre risco de apagão
O Japão luta nesta quinta-feira para tentar resfriar os reatores da central nuclear de Fukushima e conter um desastre nuclear, mas a crise desencadeada após o terremoto de magnitude 9 seguido de tsunami da última sexta-feira (11) causa preocupação cada vez maior em todo o mundo e que provoca uma fuga em massa de estrangeiros de Tóquio.A maior preocupação é a crise nuclear, considerada a mais grave desde a de Tchernobil, na Ucrânia, em 1986.
A Tepco espera restabelecer nas próximas horas a corrente de energia elétrica da central nuclear, o que permitiria ativar as bombas para resfriar os reatores e encher as piscinas. Os sistemas de resfriamento falharam na sexta-feira depois do terremoto --o mais forte da história do Japão-- seguido pelo tsunami que devastou a costa nordeste do país.
Nesta quinta-feira, quatro helicópteros do Exército japonês lançaram jatos d'água sobre os reatores nucleares do complexo de Fukushima, principalmente sobre o número 3. O objetivo era encher uma piscina de combustível usado que foi danificada após uma explosão e uma série de incêndios.
| NHK TV/AFP | ||
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| Helicóptero da Marinha lança jatos de água para esfriar reatores na usina de Fukushima, no Japão |
Com a ajuda de bombeiros e policiais, funcionários da Tepco (Tokyo Electric Power), que opera a central de Fukushima, pretendiam alcançar a piscina com a ajuda de um caminhão-tanque equipado com um canhão d'água. Mas, segundo a televisão pública NHK, isto não foi possível devido ao nível elevado de radiação.
Especialistas estrangeiros dizem acreditar que a piscina do reator 4 está praticamente seca, o que pode provocar níveis "extremamente elevados" de radiação, segundo o presidente da NRC (Autoridade Americana de Regulamentação Nuclear), Gregory Jaczko.
A fusão do combustível pode provocar a emanação de partículas radioativas, provocando assim uma catástrofe como a de Tchernobil.
O IRSN (nstituto Francês de Radioproteção e Segurança Nuclear) afirmou nesta quarta-feira que as 48 horas seguintes seriam "cruciais".
No entanto, a Tepco informou que não tinha condições de determinar a quantidade de água que entrou na piscina, já que os funcionários não conseguiam observar o local.
APAGÃO
Para piorar a crise, o governo japonês alertou sobre o risco de um possível grande blecaute nesta quinta-feira na região de Tóquio em decorrência dos problemas de provisão elétrica causados pelo terremoto seguido de tsunami. Por isso, foi pedido que as operadoras de trem da área de Tóquio suspendam o serviço na parte da tarde e que as empresas reduzam o consumo, segundo o ministro da Indústria japonês, Banri Kaieda, citado pela agência local Kyodo.
A situação se complicou ainda mais com o aumento do consumo de eletricidade devido à forte queda das temperaturas desde a noite de ontem, o que gerou o temor de que a demanda de energia supere a oferta.
Nesta quinta-feira, a quatro dias do início da primavera, prevê-se que a temperatura em Tóquio fique próxima a 0ºC à noite, como já ocorreu ontem.
O panorama fez com que duas operadoras de eletricidade japonesas passassem a fazer cortes no abastecimento, com duração entre três e seis horas, em parte do território, além de pedir que os japoneses reduzam o consumo, embora prejudique este esforço.
Há quatro dias, cortes de luz estão ocorrendo na região de Kanto, na qual se encontra Tóquio, para tentar impedir grandes blecautes. A área metropolitana de Tóquio é habitada por mais de 30 milhões de pessoas, que utilizam os trens para chegar a seus locais de trabalho, mas, desde a crise gerada pelo terremoto, muitas pessoas optaram por trabalhar de casa.
Cerca de dez milhões de lares serão afetados hoje pelos planos de cortes de energia da Tepco, segundo a agência local Kyodo.
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SAÍDA EM MASSA
Diante do risco e um acidente nuclear de grandes proporções, muitas embaixadas recomendaram que seus cidadãos se afastem da região e sigam para o sul, na área de Osaka, ou deixem o Japão.
Reino Unido, Alemanha, Suíça, Itália e Austrália também aconselharam seus cidadãos a deixar o norte e a região de Tóquio. França, Bélgica e Rússia enviarão aviões para retirar as pessoas que desejam deixar o Japão.
O governo da China pediu às autoridades nipônicas informações "pontuais e precisas" para acalmar a opinião pública preocupada com a eventual chegada ao país de emissões radioativas.
A embaixada americana estabeleceu uma zona de risco de 80 quilômetros ao redor da central nuclear.
Autoridades japonesas fixaram um perímetro de segurança de 30 quilômetros, e o governo afirmou que as radiações além da zona de exclusão de 20 quilômetros "não representam perigo imediato para a saúde".
Por precaução, 10 mil pessoas do município de Fukushima serão submetidas a testes de radioatividade em 26 centros médicos.
VÍTIMAS
O balanço oficial do terremoto e tsunami, seis dias depois da catástrofe, chegou a 5.178 mortos e 8.606 desaparecidos. No entanto, apenas na cidade de Ishinomaki, o número de desaparecidos alcança 10 mil pessoas, segundo autoridades locais.
O número de feridos é de 2.285, enquanto mais de 88 mil casas e edifícios foram destruídos, total ou parcialmente.
As autoridades japonesas também precisam enfrentar a crescente impaciência dos cerca de 500 mil desabrigados, ante a escassez de água potável e alimentos, apesar da mobilização sem precedentes de 80 mil soldados, policiais e socorristas.

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