'Eduardo e Mônica':uma campanha viral bem-sucedida que esbarrou na concorrência

Eduardo e Mônica, eternizados na canção do Legião Urbana, nunca deram tanto o que falar na internet. O vídeo da operadora de telefonia Vivo, criado pela agência Africa e pela produtora O2, foi visto por mais de 2,8 milhões de pessoas no YouTube até a tarde desta sexta-feira e se mostrou uma bem-sucedida ação de marketing. A operadora só não contava com a revelação de que a ATL, comprada pela Claro, fez um comercial semelhante há cerca de dez anos.

O vice-presidente de criação da Africa, Sérgio Gordilho, diz que não conhecia o comercial da concorrente antes da criação do filme da Vivo:
- Lá tem produto escancarado, preço. Não conhecia esse comercial, porque foi feito há mais de 10 anos. Só entrou na internet depois que já tinhamos mais de um milhão de views.
Gordilho recusa chamar o vídeo de "comercial". Diz que é um filme com uma espécie mais refinada e discreta de merchandising, chamada pelos publicitários de product placement.
- Nosso merchandising é mais sensível. Não é um comercial, é um clipe que tem um product placement, um merchand da Vivo ali embutido - diz o publicitário.

'Faroeste Caboclo'O publicitário não revela o custo da produção, mas diz ser "a mais cara do mercado para internet feita este ano". A estratégia para "viralizar" o vídeo começou com a divulgação de que estava sendo feito um filme sobre a história de Eduardo e Mônica pela produtora O2, do cineasta Fernando Meirelles. O boato se alimentou de um fundo de verdade: a gravação do filme "Faroeste Caboclo", adaptação para o cinema da música homônima do Legião Urbana.

A equipe da Africa chegou a difundir fotos da gravação do tal longa-metragem de Eduardo e Mônica. Alguns sites chegaram a falar em datas de estreia. Perfis falsos no Facebook (Eduardo Botão e Mônica Godard) somam mais de 1.400 amigos.

- Fizemos um trabalho de seeding. Começamos a soltar, em sites de cinema, que estávamos produzindo o filme, depois criamos perfil na internet de Mônica e Eduardo e adicionamos amigos. Construimos. Esse conteúdo comecou a se viralizar. Óbvio que isso só acontece quando você tem um assunto que é pertinente - diz Gordilho, que não chama o vídeo de comercial.

O viral deu tão certo que alguns fãs chegaram a pedir uma adaptação para ser veiculada na televisão, que seria caríssima com os 4 minutos de duração da história. Possibilidade já descartada pela África.
- Não tem outro jeito a não ser internet, porque é absolutamente inviável. É muito caro - diz o diretor Nando Olival, da O2, que descarta também qualquer versão em longa-metragem.
Nos cinemas, o filme só passa de 10 a 16 de junho nos intervalos comerciais de capitais como Rio, São Paulo, Belo Horizonte e Brasília.

Fonte : O GLOBO
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