O Raio-x do sexo - 3a Parte: Traíção
Na terceira parte da série sobre o raio-x do sexo entramos em outro assunto delicado, a traíção.
Homens e mulheres traem seus companheiros, mas você sabe por quê? O Petisco explica esse comportamento tanto deles quanto delas e explica que cornear o outro muitas vezes não é só falta de caráter mas com razões bem explícitas.




Homens e mulheres traem seus companheiros, mas você sabe por quê? O Petisco explica esse comportamento tanto deles quanto delas e explica que cornear o outro muitas vezes não é só falta de caráter mas com razões bem explícitas.
Por que traímos?

Você, mulher, encontra um bilhete de motel no bolso da calça do seu marido. Era o que você precisava para confirmar a traição. A primeira pergunta que você quer fazer é: por que ele me 'chifrou'? Antes de tentar entender o porquê da traição, é preciso diferenciar o sexo do amor e descobrir se mulheres e homens traem pela mesma razão.
A resposta é do médico psiquiatra e psicoterapeuta Flávio Gikovati, que em uma palestra feita na Casa do Saber, em São Paulo, afirmou que sexo e amor não são fenômenos únicos e iguais, e que é um erro confundir os dois sentimentos. Para o psicoterapeuta, o amor é algo interpessoal, ou seja, precisa de duas ou mais pessoas para existir, precisa da troca. Já o sexo é algo pessoal. "Tanto é pessoal que quando sentimos prazer na hora do sexo, fechamos os olhos" explica.
Já o psicólogo e especialista em relacionamentos amorosos Thiago de Almeida, afirma que homens e mulheres traem por razões distintas. "Temos diferenças biológicas, o homem possui 30% mais o hormônio testosterona do que a mulher, o que faz com que eles tenham mais libido, mais desejos sexuais. Enquanto as mulheres possuem 10% a mais de ocitocina no organismo, que, entre outras funções, é responsável pelo sentimento de apego e de veiculação afetiva", afirma.
Por isso, homens traem mais pra dar uma umazinha, 'gozar a vida' e as mulheres por razões emocionais. "Ternura e tesão são coisas diferentes, a fidelidade sexual é diferente da fidelidade emocional", lembra Gikovati. Por isso, não cochile senão o cachimbo cai, mulher precisa de carinho, apego, já o homem, quer prazer, ou seja, mulheres, satisfaça seu homem na cama e nunca será estatística de traíção (a menos que ele seja um sem vergonha) e homens, carinho com a mulherada, romantismo e uma 'melação de cueca' não mata ninguém.
Outro ponto que favorece os homens na traição exclusivamente sexual é o fato de eles possuírem desejo visual, e a mulher não. "Mulher se excita ao perceber que é desejada, por isso elas se embelezam mais, tudo para serem notadas. Enquanto os homens gostam de olhar o seu objeto de desejo e se excitam visualmente", comenta Flávio Gikovati. A mulher então capricha no slogan, na publicidade e o homem se atiça com a embalagem. Um par de peitos num decote, pernas grossas a mostra e uma bunda espetacular já deixa o cara a mil.

Uma pesquisa realizada pelo psicólogo Thiago de Almeida com 900 pessoas, dentre elas 356 homens e 544 mulheres de várias faixas etárias, classes sociais e orientações sexuais, mostra que 90% das mulheres se dizem fiéis aos seus companheiros. Entre os homens, esse percentual cai para 60%.
O "efeito novidade", ou o que os cientistas chamam de "efeito Coolidge", que é uma referência ao ex-presidente norte-americano Calvin Coolidge, diz respeito ao ato de procurar novos parceiros para diferenciar a vida sexual. Variar o cardápio na cama, comer uma coisinha diferente.
A lenda diz que a ex-primeira-dama passeava pela fazenda quando foi informada de que um boi copulava 17 vezes ao dia. Ironicamente pediu que os assessores contassem o fato para Coolidge. Quando foi informado, Coolidge descobriu também que o boi copulava sempre com vacas diferentes: "Contem para minha esposa", teria dito ele.
A resposta acabou com a primeira dama.
O "efeito novidade" apareceu em primeiro lugar nas razões de infidelidade dos homens, com 35,6%. Para elas, ter um parceiro novo é a segunda razão para ser infiel, com 19,7%, perdendo apenas para a vingança de ser traída, que aparece na pesquisa com 33,8%.
Outra razão citada pelos entrevistados é o prazer e o efeito lúdico da conquista, que foi citada por 19,6% dos homens e 11,3% das mulheres. A carência física também foi apontada como razão da "pulada de cerca" de 7,7% dos homens e 15,5% das mulheres.

Flávio Gikovati acredita que existam dois grupos distintos de traidores: osegoístas e os generosos. Os traidores egoístas são as pessoas que toleram mal as frustações, e não possuem maturidade emocional. Traem sem preocupação com o outro, não sentem culpa ou remorso e normalmente o fazem sem pensar muito. "Se quiser fazer algo, o egoísta faz. São os famosos cafajestes", diz Gikovati. Segundo o médico, os traidores egoístas são pessoas não confiáveis. "Eles não amam ninguém a não ser a eles mesmos", enfatiza.
O segundo grupo, dos traidores generosos, são compostos por pessoas com freio moral maior. Pensam muito nos outros e normalmente sentem muita culpa, às vezes só de pensar em trair já apresentam arrependimento. Os generosos normalmente só se envolvem quando a questão sentimental também está em jogo. "São pessoas que refletem muito antes de consumar a traição", afirma Gikovati.
Depois de descoberta a traição, vem o dilema: perdoar ou não? Para Flávio Gikovati, é preciso um trabalho com terapeutas e um esforço muito grande entre o casal. "Recuperar a confiança é muito complicado e depende de uma autocrítica também de quem foi traído, é preciso que o traído assuma sua parcela de responsabilidade", lembra. Isso acontece também em virtude de equívocos da parte daquele que foi abandonado. Segundo o especialista, se a pessoa traída é mulher, ela deve analisar se exagerou demais na parte da maternidade e deixou de lado o papel de esposa. Ou seja, é preciso reavaliar sua postura dentro do relacionamento.
Para Thiago de Almeida, a culpa da infidelidade está exclusivamente em quem trai, e não em quem é traído. Almeida acredita que a reconciliação do casal depende das escolhas e atitudes de cada um. "Reavivar o relacionamento depois de uma infidelidade pode ser difícil, mas o êxito nesse processo pode tornar a relação ainda melhor", diz o psicólogo.
O que é a traição? O que consideramos traição? A traição física, a traição virtual (internet), será que existe diferença? Por que o homem trai mesmo se está apaixonado? Será que é apenas pelo sexo, sem sentimento afetivo envolvido?
Por definição, a traição é a quebra de um contrato de fidelidade. Seja de que forma for que a mulher sinta a traição, ela vem acompanhada de dor, portanto vamos falar desse sentimento e suas repercussões na sexualidade.
A mulher casa envolta em romantismo, certa de que achou o príncipe encantado e será feliz para sempre. Isso implica inclusive que ela não invista no relacionamento, na sexualidade, nas mudanças corporais acentuadas do envelhecimento, etc. Ela acredita que o homem a amará para sempre e tudo isso não tem importância, pois nos contos de fadas seremos felizes para sempre com o nosso príncipe encantado. Já o homem fica envolto em outra questão do seu próprio romantismo. "Essa mulher será linda para sempre? Jovem para sempre? Terá esse corpo para sempre? E, principalmente, terá desejo sexual por mim sempre na mesma proporção e intensidade que eu?"
Porém, no momento em que esse romantismo for sendo quebrado, se reconhecem os defeitos de cada um e fica claro que as diferenças(masculinas e femininas) precisam ser entendidas, respeitadas e trabalhadas para se obter o crescimento desse casal.

Geralmente a mulher tenta ficar no relacionamento a qualquer custo, fingindo que está tudo bem, quando, na verdade, está cheia de mágoas e ressentimentos, o que diminui seu desejo sexual e sua lubrificação. Com isso ela passa a ter dificuldades de atingir o orgasmo, o casal se distancia porque perdem a intimidade emocional e sexual. E o homem? Ele acha mais fácil arrumar uma terceira pessoa para quem canaliza apenas sua sexualidade. Assim, é mais fácil (teoricamente) enfrentar as dificuldades e reorganizar o casamento. Lembremos que o inverso também é verdadeiro.
Os homens traem mais por razões ligadas à sexualidade, por atração sexual junto a circunstâncias favoráveis (oportunidade), e as mulheres, geralmente, por motivos ligados ao casamento (falta de afeto, rotina) e também por vingança (já foi traída, decepção, desamor, raiva do parceiro).
A dor da mulher traída não é maior ou menor que a dor de outra mulher, pois não existe competição de dor. A dor de cada uma é a maior dor do mundo e precisa ser respeitada. A mulher traída ama o parceiro a tal ponto que tenta perdoá-lo e seguir em frente, reajustando o relacionamento.
Mas, existe algo positivo na traição. A mulher cresce como ser humano e fica dotada de uma força maior, que a ensina a cuidar dela mesma, investir no seu ganho financeiro, nas suas perspectivas pessoais, assim como em suas escolhas masculinas. Essa mulher aprenderá a dar valor a ela própria e seu saldo será positivo. Como dizia Simone de Beauvoir: "Não se nasce mulher, torna-se mulher".
Consultoria:
Thiago de Almeida : psicólogo pela Universidade de São Carlos (UFSCar) e mestre pelo Departamento de Psicologia Experimental do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP);
Flávio Gikovate : médico psiquiatra, psicoterapeuta e escritor
A terceira parte da coluna fica por aqui. Não perca a próxima matéria.
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