Não interessa o que ela fazia, diz pai de Eliza Samudio sobre vídeo pornô

Circula na internet um vídeo de sexo explícito que teria a participação de Eliza Samudio, ex-namorada do goleiro Bruno desaparecida há cerca de um mês. Especialistas consultados pelo portal R7 divergem quanto à influência do suposto filme no andamento do caso e no julgamento popular. Já o pai de Eliza, Luiz Carlos Samudio, disse não querer discutir o passado da filha.
- Algumas pessoas querem manchar o nome dela, que não tem como se defender. Uma hora você é herói. Outra você é vilão. Temos que focar no desaparecimento dela, não em outras coisas. Estamos falando do sumiço de uma pessoa. Isso é o que interessa e não o que ela fazia.
O vídeo, feito pela produtora de filmes adulto, Brasileirinhas, mostra uma atriz pornô com a mesma tatuagem que Eliza possui na cintura. Porém, essa mesma atriz se apresenta com dois nomes diferentes  em várias produções datadas de 2006, no filme "Violação Anal 4", a atriz de codinome Raycca, seria Elisa Samudio. Já no filme "Enfim anal" ela supostamente se apresentava como Fernanda Faria. 
O Petisco viu os videos e não pode dizer com clareza se é ou não Elisa Samudio nos filmes e deixa claro também que o fato de ser ou não  ela, não vem ao caso, nosso interesse é jornalístico tendo como alvo de interesse a solução do caso, não a sua vida particular.
Para Andrea Boreli, pesquisadora do Núcleo de Estudos da Mulher da PUC-SP,  o surgimento do vídeo pode levar a opinião pública a especular sobre questões que não dizem respeito ao desaparecimento de Eliza.
- Esse é um caso clássico quando acontece algo relacionado a um crime ou suposto crime com uma mulher, principalmente, se houver a suspeita de que ele teve motivação passional. O julgamento das pessoas acaba indo para um lado moral ou imoral da situação, quando, na verdade, o que deveria estar se julgando é se uma mãe de um filho pequeno, que sumiu, foi assassinada ou não. 
O advogado criminalista Leonardo Pantaleão reforça que, se o assassinato de Eliza for comprovado, as circunstâncias de sua morte e seus responsáveis serão julgados.
- São coisas totalmente distintas. A polícia e o júri vão julgar o caso em si e não uma conduta externa ao crime. As atitudes dela não têm nada a ver com seu desaparecimento. O fato de uma pessoa ter uma vida considerada irregular pelas pessoas não entra no julgamento, caso o crime for comprovado.
A busca pelo perfil ou histórias sobre a conduta da mulher em crimes com motivação passional não é nova no Brasil. Andrea Boreli relembra o caso da socialite Ângela Diniz, assassinada por ciúmes por seu marido Raul Fernandes do Amaral, conhecido como Doca Street. Na época do crime, em 1976, a opinião pública debateu a conduta da vítima. De acordo com a pesquisadora, essa é uma postura histórica da sociedade brasileira.
- O machismo ainda está muito arraigado em nós. Há casos de mulheres que foram assassinadas, mas acabaram julgando-as por atitudes que consideravam inadequadas, e não o crime em si. Esse quadro tem a ver com a condição da mulher dentro da sociedade. Apesar dos avanços nessa área, elas continuam sendo julgadas pelo comportamento privado. E, na verdade, o que tem que ser visto é que uma pessoa sofreu uma violência. Ponto.

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