CASO HOPI HARI: Operador não tinha como parar brinquedo

Foto de arquivo mostra o brinquedo Torre Eiffel, onde aconteceu o acidente / Rochelle Costi/Folhapress - 27.nov.1999
O advogado Ale Bichir Júnior, que defende um dos funcionários do parque de diversões Hopi Hari, afirmou na tarde desta quinta-feira (1º) que, mesmo tendo detectado uma falha no brinquedo “La Tour Eiffel”, de onde Gabriela Michimuri, 14, caiu e morreu na última sexta-feira (24), seu cliente não tinha autonomia para impedir o funcionamento do equipamento.
O cliente de Bichir Júnior foi quem percebeu o problema na trava da cadeira utilizada pela adolescente 15 minutos antes do acidente. “Eles [os operadores do brinquedo] não tinham autonomia para decidir. Meu cliente identificou um problema na trava, mas a garota estava fora do campo de visão dele. Ele avisou [a chefia] do problema e foi informado que a manutenção estava a caminho”, afirmou o advogado.
Bichir Júnior conversou com a imprensa na sede do Ministério Público em Vinhedo, onde representantes do parque, do MP e da Polícia Civil discutem um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que pode determinar o fechamento do Hopi Hari por dez dias, até que seja feita perícia completa em todos os brinquedos.
O advogado disse ainda que o funcionário irá prestar depoimento nos próximos dias e criticou a postura do Hopi Hari, que teria entrado em contato com o cliente de Bichir Júnior para oferecer uma consulta com um psicólogo. “Achei isso descabido”, disse.
Trava abre durante descida
Ontem, após o depoimento da mãe da menina, que apresentou fotos de minutos antes do acidente, o delegado e o promotor Rogério Sanches Cunha, concluíram que a primeira inspeção havia sido feita na cadeira errada e que o assento onde realmente estava Gabriela deveria estar interditado.
"A cadeira era inoperante há anos, o parque não nega. O que o parque talvez quis negar em um primeiro momento era que alguém havia sentado nela." O promotor diz que as fotos mostram Gabriela "sentando e subindo na cadeira inoperante".
Após a descoberta do erro, o delegado determinou uma nova perícia no brinquedo e foi constatado que a trava da cadeira certa abre durante a queda do elevador.
"[Constatou-se] que, na descida, quando a atração é colocada em atividade, aquela trava se levanta quando está em queda livre", afirmou ele.
Segundo o delegado, a confusão aconteceu porque, no dia do acidente, uma testemunha disse que a menina estaria em outra posição.
"Apuramos inúmeras falhas que acabaram, em uma sucessão de erros, provocando a morte da Gabriela", disse o promotor Cunha."A partir do momento em que o parque reconhece que aquela cadeira é inoperante, ele sabe que aquela cadeira tem problemas mecânicos. Então não é que houve falha mecânica, a falha na cadeira já era previsível. O que houve foi uma falha humana em não se impedi-la de entrar naquela cadeira”, afirmou.
De acordo com o promotor, a menina levantou sozinha a trava do assento interditado --que não contava com nenhum aviso-- e entrou em “uma verdadeira arma”.
“Hoje praticamente trabalhamos com a certeza de que, no momento da frenagem ou talvez um pouco antes, por falta de força de ficar se segurando, ela efetivamente caiu, pendendo o corpo para frente. Essa menina entrou em uma verdadeira arma, em um brinquedo que era fatal”, disse Cunha.
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