CASO HOPI HARI: Cadeira não funcionava há 10 anos

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Daia Oliver/R7
Brinquedo La Tour Eiffel tem 70 m de altura. Ele está interditado até o final da investigação


A cadeira em que a adolescente despencou e morreu no parque Hopi Hari, na última sexta-feira (24), estava inoperante há dez anos. A informação foi confirmada pelo promotor do caso, Rogério Sanches, em entrevista à Rede Record, nesta quinta-feira (1º). Segundo Sanches, o fato comprova que houve falha humana no caso.

- Essa cadeira estava inoperante havia dez anos, tiraram a bobina que energizava a trava. No dia, alguém acionou manualmente as travas equivocadamente, ou não.

De acordo com o promotor, não houve erro na perícia.

- [ O fato] comprova falha humana. Houve uma negligência no grau máximo. A cadeira naturalmente não funcionaria. Alguém acionou manualmente a cadeira.

A equipe do Portal de notícias R7 entrou em contato com a assessoria do parque, que disse que vai se manifestar por meio de nota.

Perícia

Foi feita uma nova perícia na quarta-feira (29) no brinquedo La Tour Eiffel. Uma tia levou uma foto que mostra que a garota estava sentada em uma cadeira na ponta, e não no segundo lugar, como o parque havia informado inicialmente.

A perícia feita pelo Ministério Público e pela Polícia Civil e apontou que o assento realmente apresentou problemas. De acordo com o delegado responsável pelas investigações, Álvaro Santucci Noventa Júnior, quando o brinquedo começa a funcionar a trava se levanta e depois e depois abaixa fortemente.

Em seguida ao acidente, o parque informou que o assento da ponta, o mesmo que a garota estava sentada, estava interditado há anos e não foi usado. O advogado de dois funcionários do parque de diversões Hopi Hari, Bechir Ale Júnior, disse que seus clientes afirmam que a cadeira do brinquedo em a menina morreu estava quebrada e que o fato foi comunicado aos responsáveis pela atração.

- Eles estavam no momento, detectaram o defeito, que foi avisado e ignorado.

De acordo com o advogado, “era notório e de conhecimento de todos que o brinquedo não poderia operar”. Segundo Ale Júnior, o problema na trava da cadeira foi informado aos superiores 15 minutos antes dela começar a funcionar. Mesmo assim, a adolescente que morreu foi autorizada a sentar no assento defeituoso.

- Em relação aos novos fatos, o parque reitera veementemente a cooperação absoluta com todos os órgãos responsáveis na apuração definitiva deste caso.

Três testemunhas que já prestaram depoimento afirmaram que a trava de proteção abriu. A menina teria caído de uma altura de cerca de 25 m. O elevador La Tour Eiffel tem 60 m (o equivalente a um prédio de 23 andares).

Investigações
Sanches afirmou que o Ministério Público trabalhará em duas frentes: uma de investigação criminal paralela às apurações da Polícia Civil e outra para analisar consequências e providências do ponto de vista do consumidor.

- Me parece evidente que houve negligência. Quero saber em qual nível, grau e momento. Se foi na manutenção do brinquedo ou na fiscalização da segurança.

Sanches disse ainda que quer nomes de quem, de forma direta ou indireta, cuida da atração. Quer entender, também, como funciona o brinquedo do qual a menina caiu para iniciar o processo de investigação da Promotoria.

- Preciso saber a força do impacto, se a garota poderia estar presa e se soltar e como isso seria.

Coletiva

Os pais da adolescente estavam dando depoimento, por volta das 13h30 desta quinta-feira (1º), no escritório do advogado Ademar Gomes, que representa a família.

Segundo Gomes, a mãe contou que a adolescente estava em uma cadeira da ponta que deveria estar interditada. Os advogados da família apresentaram uma foto que contesta o laudo da perícia, no qual a menina estaria sentada em uma cadeira entre outras duas pessoas. 
Além da mãe, dois funcionários do parque prestaram depoimento na quarta.
Depoimentos
O delegado que investiga o acidente, Álvaro Santucci, afirmou que o engenheiro-chefe responsável pela manutenção do parque de diversões descartou que uma falha mecânica no elevador tenha provocado a morte da garota de 14 anos. O funcionário do Hopi Hari, assim como o perito que fez uma vistoria no brinquedo na segunda-feira, disse acreditar que houve falha humana.

Texto:  R7 / Rede Record

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