Schincariol uma história de sucesso e escândalos
A cervejaria Schincariol nasceu em 1939 em Itu e durante o decorrer dos anos conquistou o segundo lugar no mercado cervejeiro. Seu portfólio inclui cervejas, refrigerantes, água e sucos.
Mas nem sempre o sucesso esteve presente na empresa que vive uma história diferente desde o assassinato do patriarca Nelson Schincariol.
O primeiro escândalo foi em junho de 2005, quando 68 pessoas, entre elas os donos da Schincariol, foram presos acusados de sonegar mais de R$ 1 bilhão em impostos.
Na época uma megaoperação conjunta da Receita Federal e da Polícia Federal, prendeu mais de 60 pessoas suspeitas de participarem do maior esquema de sonegação de impostos da história do país envolvendo uma empresa.
A oeração foi batizada pela PF de "Operação Cevada", a ação visou desmantelar a rede de sonegação de impostos como o IR (Imposto de Renda) e o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) no setor de bebidas.
Segundo a PF, estavam envolvidas a Schincariol, segunda maior fabricante de cerveja do Brasil, e parte de suas distribuidoras. Entre os presos estavam Adriano e Alexandre Schincariol (filhos do fundador da cervejaria, José Nelson Schincariol, assassinado em 2003) e Gilberto Schincariol (irmão de José Nelson), além de José Augusto Schincariol e Gilberto Schincariol Filho (sobrinhos de José Nelson).
Eles também são investigados pela suspeita de participação nos crimes de formação de quadrilha, sonegação fiscal e fraude no mercado de distribuição de bebidas.
A "Operação Cevada" tem o objetivo de cumprir 134 mandados de busca e apreensão e 79 mandados de prisão para pessoas envolvidas no esquema. A ação, que ocorre em 12 Estados (Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Goiás, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Ceará, Maranhão, Tocantins e Pará), mobilizou 180 funcionários da Receita e 830 da PF. Todos os mandados judiciais foram expedidos pela Justiça Federal de Itaboraí (RJ).
Nos 14 meses de investigação, a força-tarefa da Receita e PF apurou que o esquema criminoso beneficiava empresas ligadas ao grupo Schincariol. As ações se concentraram nas indústrias de cervejas e refrigerantes do grupo, principalmente em Itu (SP) e Cachoeiras de Macacu (RJ).
As investigações indicaram ainda que o grupo Schincariol havia montao com alguns de seus distribuidores terceirizados um grande esquema de sonegação fiscal de tributos estaduais e federais, utilizando o subfaturamento na venda de seus produtos com o recebimento "por fora" da diferença entre o real valor de venda e o valor declarado nas notas fiscais.
Além disso, foram identificadas operações de exportação fictícia, intermediadas por empresas situadas em Foz do Iguaçu (PR) e importação com falsa declaração de conteúdo e classificação incorreta de mercadorias.
As investigações sugiram ainda que parte da matéria-prima usada nas fábricas era adquirida sem a devida documentação fiscal, envolvendo operações simuladas com empresas inexistentes ou de capacidade financeira insignificante, localizadas em Estados do Nordeste, como se fossem estas as adquirentes. As importações de matéria-prima e de equipamentos para as fábricas eram intermediadas por empresas do grupo sediadas na Ilha da Madeira (Portugal).
Segundo a PF, as investigações mostraram que o esquema era aperfeiçoado após sucessivas autuações dos fiscais. A partir daí a empresa teria começado a utilizar distribuidores para sonegar.
Os lucros obtidos pelo grupo com a prática de sonegação eram remetidos regularmente dos distribuidores para a sede de Itu. Somente um dos distribuidores investigados chegava a enviar cerca de R$ 1 milhão por mês.
Placas frias
Foram encontrados num bar em frente à fábrica da Schincariol, em Cachoeira do Macacu um total de 87 placas de caminhão sem lacre. Elas eram usadas para combinar com as notas frias utilizadas pela empresa para indicar a venda de produtos para Estados com vantagens fiscais quando, na verdade, eram dirigidas a locais com tributação mais alta.
No Rio de Janeiro, foram presos: Carlos Alberto Britto Viera, diretor regional da PR Distribuidora (São Gonçalo) e da distribuidora Disbetil, em Itaborai. Na Disbetil, foi encontrado um cofre numa parede falsa com documentos e dinheiro.
Outros presos citados pela PF foram: Cleydson de Souza Ferreira, gerente administrativo da Disbetil; Fernando de Carvalho, um dos altos funcionários da distribuidora Dismar; José Carlos Barbosa Filho, funcionário da Dismar; Mirtes Fabiana Temóteo Ribeiro, funcionária da Disbetil; Neilson de Oliveira Ribeiro, gerente-comercial da Disbetil no Paraná; Paulo Fadigas de Souza, fiscal da Receita Estadual e Roberto Borges de Almeida, gerente da Transpotencial Sudoeste; Robson de Almeida Pinto, representante da Primo Schincariol.
Segundo a PF, a maioria das distribuidoras estava em nome de "laranjas".
ESCÂNDALO DE ASSÉDIO MORAL
Mas nem sempre o sucesso esteve presente na empresa que vive uma história diferente desde o assassinato do patriarca Nelson Schincariol.
O primeiro escândalo foi em junho de 2005, quando 68 pessoas, entre elas os donos da Schincariol, foram presos acusados de sonegar mais de R$ 1 bilhão em impostos.
Na época uma megaoperação conjunta da Receita Federal e da Polícia Federal, prendeu mais de 60 pessoas suspeitas de participarem do maior esquema de sonegação de impostos da história do país envolvendo uma empresa.
A oeração foi batizada pela PF de "Operação Cevada", a ação visou desmantelar a rede de sonegação de impostos como o IR (Imposto de Renda) e o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) no setor de bebidas.
Segundo a PF, estavam envolvidas a Schincariol, segunda maior fabricante de cerveja do Brasil, e parte de suas distribuidoras. Entre os presos estavam Adriano e Alexandre Schincariol (filhos do fundador da cervejaria, José Nelson Schincariol, assassinado em 2003) e Gilberto Schincariol (irmão de José Nelson), além de José Augusto Schincariol e Gilberto Schincariol Filho (sobrinhos de José Nelson).
Eles também são investigados pela suspeita de participação nos crimes de formação de quadrilha, sonegação fiscal e fraude no mercado de distribuição de bebidas.
A "Operação Cevada" tem o objetivo de cumprir 134 mandados de busca e apreensão e 79 mandados de prisão para pessoas envolvidas no esquema. A ação, que ocorre em 12 Estados (Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Goiás, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Ceará, Maranhão, Tocantins e Pará), mobilizou 180 funcionários da Receita e 830 da PF. Todos os mandados judiciais foram expedidos pela Justiça Federal de Itaboraí (RJ).
Nos 14 meses de investigação, a força-tarefa da Receita e PF apurou que o esquema criminoso beneficiava empresas ligadas ao grupo Schincariol. As ações se concentraram nas indústrias de cervejas e refrigerantes do grupo, principalmente em Itu (SP) e Cachoeiras de Macacu (RJ).
As investigações indicaram ainda que o grupo Schincariol havia montao com alguns de seus distribuidores terceirizados um grande esquema de sonegação fiscal de tributos estaduais e federais, utilizando o subfaturamento na venda de seus produtos com o recebimento "por fora" da diferença entre o real valor de venda e o valor declarado nas notas fiscais.
Além disso, foram identificadas operações de exportação fictícia, intermediadas por empresas situadas em Foz do Iguaçu (PR) e importação com falsa declaração de conteúdo e classificação incorreta de mercadorias.
As investigações sugiram ainda que parte da matéria-prima usada nas fábricas era adquirida sem a devida documentação fiscal, envolvendo operações simuladas com empresas inexistentes ou de capacidade financeira insignificante, localizadas em Estados do Nordeste, como se fossem estas as adquirentes. As importações de matéria-prima e de equipamentos para as fábricas eram intermediadas por empresas do grupo sediadas na Ilha da Madeira (Portugal).
Segundo a PF, as investigações mostraram que o esquema era aperfeiçoado após sucessivas autuações dos fiscais. A partir daí a empresa teria começado a utilizar distribuidores para sonegar.
Os lucros obtidos pelo grupo com a prática de sonegação eram remetidos regularmente dos distribuidores para a sede de Itu. Somente um dos distribuidores investigados chegava a enviar cerca de R$ 1 milhão por mês.
Placas frias
Foram encontrados num bar em frente à fábrica da Schincariol, em Cachoeira do Macacu um total de 87 placas de caminhão sem lacre. Elas eram usadas para combinar com as notas frias utilizadas pela empresa para indicar a venda de produtos para Estados com vantagens fiscais quando, na verdade, eram dirigidas a locais com tributação mais alta.
No Rio de Janeiro, foram presos: Carlos Alberto Britto Viera, diretor regional da PR Distribuidora (São Gonçalo) e da distribuidora Disbetil, em Itaborai. Na Disbetil, foi encontrado um cofre numa parede falsa com documentos e dinheiro.
Outros presos citados pela PF foram: Cleydson de Souza Ferreira, gerente administrativo da Disbetil; Fernando de Carvalho, um dos altos funcionários da distribuidora Dismar; José Carlos Barbosa Filho, funcionário da Dismar; Mirtes Fabiana Temóteo Ribeiro, funcionária da Disbetil; Neilson de Oliveira Ribeiro, gerente-comercial da Disbetil no Paraná; Paulo Fadigas de Souza, fiscal da Receita Estadual e Roberto Borges de Almeida, gerente da Transpotencial Sudoeste; Robson de Almeida Pinto, representante da Primo Schincariol.
Segundo a PF, a maioria das distribuidoras estava em nome de "laranjas".
ESCÂNDALO DE ASSÉDIO MORAL
No dia 24 de março Ministério Público do Trabalho ajuizou uma ação civil pública contra a Schincariol Logística e Distribuição Ltda. por assédio moral contra empregados. Como condenação, o MPT pediu o pagamento de R$ 1 milhão por dano moral coletivo e uma multa diária de R$ 5 mil, por descumprimento das obrigações. Na ocasião empresa informou que tinha sido notificada e apurava o caso.
O caso aconteceu numa filial da empresa na Bahia e nada tem a ver com a matriz em Itu, que responderá pelo caso.
De acordo com o MPT, a prática de abuso de poder ficou evidenciada em denúncias de funcionários que teriam sido vítimas de constrangimentos em festas de aniversário. De acordo com depoimentos de funcionários, gerentes da empresa determinavam que a saudação de aniversário “é pique, é pique, é pique!” fosse substituída por "é pi.., é pi..., é pi.." uma paródia imoral do refrão. Além disso, segundo a denúncia, os aniversariantes eram tocados nas partes íntimas pelos colegas.
O procurador Manoel Jorge e Silva Neto instaurou inquérito para conduzir a investigação e intimou a empresa a apresentar defesa. De acordo com o Ministério Público, diante da negativa da Schincariol em assinar um termo de compromisso para ajustar a conduta, restou a atuação judicial. A ação foi distribuída para a 1ª Vara do Trabalho de Salvador e a audiência foi marcada para o último dia 12 de abril.
No ambiente interno da empresa, o MPT recomenda um diagnóstico do meio ambiente psicossocial do trabalho, com implementação de normas saudáveis de conduta, campanhas de conscientização, palestras semestrais, até a criação de canais internos de denúncia e acompanhamento de conduta dos empregados envolvidos.
Posição da empresa
A Schincariol informou ter sido notificada sobre a ação e apura a versão dos fatos relatada pelo Ministério Público do Trabalho da Bahia, para que possa se pronunciar e apresentar sua defesa.
"A Schincariol esclarece que repudia a prática de assédio moral e, por princípio, investe fortemente na formação de seus gestores e demais lideranças de todas as localidades, por meio de cursos, treinamentos, palestras, entre outras iniciativas."
A Schincariol informou ter sido notificada sobre a ação e apura a versão dos fatos relatada pelo Ministério Público do Trabalho da Bahia, para que possa se pronunciar e apresentar sua defesa.
"A Schincariol esclarece que repudia a prática de assédio moral e, por princípio, investe fortemente na formação de seus gestores e demais lideranças de todas as localidades, por meio de cursos, treinamentos, palestras, entre outras iniciativas."
A companhia informou ainda que conta com uma cartilha que reúne informações e orientações em relação ao tema do assédio moral, disponível para todos os seus colaboradores, e de um código de conduta que contém as normas e os princípios éticos que norteiam a conduta profissional.
FONTE: FOLHA ON LINE
G1
FONTE: FOLHA ON LINE
G1
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