ECONOMIA E NEGÓCIOS: Cervajaria Schincariol é posta à venda

Schincariol poderá  ser vendida


ITU - Conforme antecipou a revista EXAME, a cervejaria Schincariol foi posta à venda pela família que a controla. Entre as interessadas, estariam a britânica SAB Miller, a dinamarquesa Carlsberg e a holandesa Heineken. A venda do controle da Schincariol seria a consequência de uma série de problemas que a cervejaria enfrentou nos últimos anos.

A Schincariol bem que tentou esconder, mas a notícia de que a empresa foi colocada à venda por US$ 2 bilhões (R$ 3,28 bilhões) vazou.

Nesta última semana, via assessoria de imprensa, os diretores da Schincariol admitiram que as informações trazidas pelo jornal inglês "Sunday Times" têm fundamento. “Por enquanto, nenhum diretor da empresa ou alguém da família Schincariol se pronunciará sobre o assunto. A empresa também não nega que a venda seja possível de ser concretizada”, manifestaram-se os representantes da cervejaria de forma oficial.

Com produção de aproximadamente 2,5 bilhões de litros de cervejas por ano – com capacidade para 5 bilhões – a Schincariol teve um faturamento de R$ 5,7 bilhões e R$ 5,1 bilhões em 2010 e 2009, respectivamente. O motivo da venda seriam as inúmeras decisões equivocadas, principalmente ao que se refere às campanhas pesadas de divulgação da marca Devassa Bem Loura.

Os problemas enfrentados pela cervejaria os últimos anos seriam equívocos sucessivos sendo eles:

O primeiro é a perda de participação de mercado. Em 2008, por exemplo, a Schincariol possuía cerca de 13%. Desde então, a empresa encolheu, enquanto a Petrópolis se aproximou perigosamente, a ponto de ameaçar a sua vice-liderança. Na última pesquisa da Nielsen, a Schincariol possuía 10,97%, ante 10,8% da rival.
O recuo de sua fatia de mercado reflete, ainda, o fracasso de sua maior aposta – a cerveja Devassa Bem Loura, lançada com estardalhaço no Carnaval de 2010. Tendo como primeira garota-propagada a socialite Paris Hilton, o produto não teve o desempenho esperado. Segundo reportagem de EXAME, a meta era fechar 2010 com 1,5% de mercado, mas o resultado teria sido de 0,2%.
Paris Hilton em comercial da Devassa

Derrapadas
O número aquém do esperado é atribuído a decisões equivocadas, como a desmobilização antecipada da equipe de 150 vendedores, montada especialmente para vender a Devassa Bem Loura. Entusiasmada pela boa recepção inicial, a Schincariol teria incorporado a marca ao portfólio de todos os vendedores – o que a diluiu em meio à oferta de outros produtos.
Em paralelo, para cortar custos, o presidente da companhia, Adriano Schincariol, iniciou uma forte reestruturação que envolveu a demissão de diretores e gerentes. Na prática, isso significou a reversão do processo de profissionalização da empresa, iniciado em 2007, logo após a morte de seu pai e fundador da cervejaria, José Nelson Schincariol.
O argumento de Adriano para as demissões é que a companhia não estava cumprindo seu objetivo básico – vender cervejas. Mas as recentes o fracasso das recentes iniciativas mostra que o problema pode ser bem maior.
O movimento da venda passou a caminhar paralelamente com um antigo projeto da cervejaria brasileira de abrir capital na bolsa de valores, por meio do BTG Pactual, do banqueiro André Esteves. As informações são da Veja. De acordo com o jornal Valor Econômico, a família Schincariol detém 100% do capital da empresa e está atrás de melhorias na área de governança corporativa e formalização de processos para a estreia na bolsa. No entanto, terá de optar por apenas uma das opções: vender a empresa ou realizar a oferta pública de ações. O valor de mercado da Schincariol foi avaliado entre 5 e 7 bilhões de reais, com possibilidade de ultrapassar esta marca e atingir os 10 bilhões de reais, caso os controladores da empresa pressionem.

Segunda do mercado
Quem comprar a Schincariol leva, no mínimo, 10,97% no mercado, considerado como a segunda colocação. Para a Sicobe, da Secretaria da Receita Federal, a fatia sobe para 15,1%.
Mas a vice-liderança da Schincariol já se demonstra frágil. A Petrópolis, que aparece em terceiro, detém 10,8%. Ou seja, ela está mais próxima de perder o posto do que alcançar a porcentagem absoluta da Ambev (68,23%).
A fatia para uma nova marca é importantíssima. A Miller, uma das interessadas na compra, faria dessa porcentagem a sua estreia no mercado brasileiro, sendo que a empresa só tem entrada na América do Sul através do Peru.
O grande xeque-mate do mercado, no entanto, que é o projeto mais temido para as pretensões da Ambev, pertence à Heineken.
A empresa, que investiu pesado no país nos últimos meses e hoje tem a cerveja distribuída pela Coca-Cola, passaria a ser o grande bicho-papão do setor.
Isso porque a Ambev teria seu caminho atravessado na tentativa de tornar a Budweiser como a primeira marca internacional no Brasil.
Matriz em Itu


A matriz da Schincariol está localizada em Itu, região de Sorocaba. De acordo com as informações da assessoria de imprensa, a fábrica responde por até 40% da produção nacional. Ela ainda gera mais de 3 mil vagas de empregos diretos e outras 18 mil de forma indireta.


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