Os novelistas e seus egos

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Carlos Lombardi chegou a ser cogitado como contratado da Rede Record neste ano de 2009. O tempo passou, o assunto não vingou e ele resolveu dizer o que pensa sobre trabalhar na emissora do bispo Edir Macedo soltando essa pérola nada profissional:


“Pode até ser que, futuramente, a Record vire uma opção legal, mas ainda é meia-boca. Além do mais, patrão é patrão em qualquer lugar.


A etapa mais difícil de uma novela é administrar o ego do diretor... A Globo é a única televisão do mundo em que o diretor tem importância.”


Com certeza, patrão é patrão em qualquer lugar, mas sem dúvida nenhuma que não se pode dizer que um lugar onde se possa trabalhar, num mercado tão escasso no Brasil, como é o de teledramaturgia, chamar esse lugar de 'meia-boca'.
O núcleo de dramaturgia da Rede Record vem melhorando muito de uns tempos pra cá, deixando de lado certos amadorismos que antes lá ocorriam.
Dizer o que disse Lombardi, foi anti-ético e lhe fechou uma porta para o futuro, caso precise.
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Já Manoel Carlos, há tempos vem sendo criticado sobre o atraso na entrega dos capítulos de 'Viver a Vida'. Em uma entrevista foi indagado sobre o assunto e sem pestanejar mandou o seu recado:


“Escrever o capítulo de manhã depois de assistir ao de hoje (ontem) é o meu sonho impossível. O da dramaturgia ao vivo, como nos anos 1950. Dar ao público a emoção do ‘fazer fazendo’ e do ‘viver vivendo’. Sobre o atraso na entrega dos capítulos, isso já virou folclore. Na Globo, não chamam isso de atraso, mas de estilo.

Eu nunca escrevi uma novela pensando exclusivamente em entreter. Não sou animador de auditório.”



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Aguinaldo Silva anda mesmo muito sem humildade. Após o sucesso de 'Cinquentinha', seus entreveros com alguns atores que se recusaram a trabalhar com ele na minissérie, como Marilia Pêra, inflou seu ego e agora resolveu se colocar em um patamar acima do mestre Dias Gomes. No ano que vem as telonas vão exibir o filme 'Roque Santeiro', baseada na novela homônima, exibida em 1985 por ele como co-autor e o próprio Dias Gomes e vem daí a polêmica. Aguinaldo afirmou em uma entrevista sem o menor  pudor e nem humildade que Dias Gomes não passou de um colaborador e que a novela era dele. Veja o que disse o novelista:


“Vou falar uma coisa que nunca falei com ninguém. Depois de ‘Roque Santeiro’ (1985) fiz ‘Tieta’ (1989), ‘Pedra sobre pedra’ (1992), ‘Fera ferida’ (1993) e ‘A indomada’ (1997). Fiz essas quatro novelas no mesmo tom só para mostrar para as pessoas que quem escreveu ‘Roque Santeiro’ (assinada por Dias Gomes) fui eu.

A verdade é que ‘Porto dos milagres’ (2001, com direção de Marcos Paulo) foi traumática para mim. Sabe essa coisa do diretor dizer que não sabe fazer? Pois é. Depois de ’Porto’, pensei até em não escrever mais novelas.

Eu acho que a Academia (Brasileira de Letras) está comendo mosca por não receber autores de novela.

Não tenho intimidade com nenhum outro autor da Globo... Não tenho uma relação com o Gilberto (Braga), menos ainda com Manoel Carlos. Já nos encontramos várias vezes em livrarias. Ele me reconhece, eu o reconheço, mas ninguém se fala.”

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