Maconha não é droga leve, afirma psiquiatra

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Bate-papo sobre maconha no Uol

Ontem, o Folhateen promoveu um bate-papo no Uol com o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, coordenador do Uniad (Unifesp), e o advogado João Daniel Rassi, autor do livro "Lei de Drogas Anotada".

O mote da conversa foi a reportagem desta semana no Folhateen, "
Minha Casa É 'Legalize'", sobre filhos que fumam maconha com os pais.

Mas os internautas perguntaram sobre vários aspectos do tema "maconha". Principalmente sobre legalização, sobre o que acontece com usuários pegos em flagrante e sobre os efeitos da droga para a saúde dos usuários.

Aqui você confere uma seleção das perguntas que rolaram no bate-papo. No 
Uol, você lê a íntegra da conversa.

Melhores momentos:

ivi fala para Dr. Ronaldo Laranjeira:
 Qual deve ser a atitude da família ao descobrir que o filho adolescente usa maconha?Dr. Ronaldo Laranjeira:Discutir os riscos e os valores da família em relação ao uso de substância. É um bom momento para a família poder discutir as escolhas de cada um dos seus membros e saber o que devemos apoiar ou não.

prix fala para Rassi
: Gostaria de saber com qual quantidade de maconha você passa a ser considerado traficante. Tem uma lei a esse respeito rolando, não tem?J.D. Rassi: A legislação mexicana prevê uma quantidade mínima de droga para ser considerando traficante. No Brasil vai depender do caso concreto. Pela atual legislação não há uma quantidade fixa para se estabelecer quem é traficante ou quem é usuário.

Lê.galize fala para Dr. Ronaldo Laranjeira:
 o que você acha de pais que fumam com os filhos?
Dr. Ronaldo Laranjeira: Acho um absurdo, pois estão tornando aceitável um comportamento que com certeza trará repercussões mais acentuadas para os adolescentes. Isso já aconteceu com o cigarro e as pesquisas mostraram que os filhos que fumavam com os pais foram os que ficaram mais dependentes e tiveram piores efeitos do cigarro.

Pró-legalizacao fala para Rassi:
 Qual sua opinião com relação a legalização?
J.D. Rassi: Sou favorável a legalização da chamada droga leve, cuja venda poderia se submeter ao controle estatal. No entanto, por razões prática, essa legalização deveria se limitar a uma política de redução de danos...

Mlk Carioca fala para Dr. Ronaldo Laranjeira: A maconha é a droga mais leve existente hj?
Dr. Ronaldo Laranjeira: Não acredito que exista droga leve. Como a maconha é a principal droga consumida pelos adolescentes, e pela repercussão que ela tem no cérebro em formação, eu reluto a aceitar que ela seja leve.

thomas420 fala para J.D. Rassi: Qual seria a pena para uma planta de 1,20 de altura cultivada para fins decorativos?
J.D. Rassi:
 Não existe uma hipótese específica para quem planta com fins decorativos de modo que, numa interpretação legalista, o crime seria do art. 33 [tráfico]. No entanto, é bem provável que num caso como esse, o juiz, por uma questão de bom senso, poderia interpretar essa conduta como sendo crime do art. 28 [consumo], para evitar o rigor desproporcional da lei...

Rossetto fala para Dr. Ronaldo Laranjeira
: Experimentai maconha apenas uma vez, com alguns amigos por curiosidade, alguns deles sentiram efeito, mas em mim não fez efeito algum, não senti nada diferente, nenhuma alteração, o que ocorreu?
Dr. Ronaldo Laranjeira
: A maior parte dos usuários de primeira viagem não consegue absorver quantidade suficiente para que a maconha faça algum efeito farmacológico. É necessária a técnica de segurar a fumaça por certo tempo.

cmcamilo fala para J.D. Rassi: Acredita que a legalização da maconha poderia levar à diminuição da violência urbana no Brasil?
J.D. Rassi:
 Sim. O controle estatal na venda da droga poderá diminuir a violência no que diz respeito ao tráfico. No entanto, não podemos esquecer que o usuário, sem condições financeiras, poderá para adquirir o produto praticar crime de roubo, furto etc., como normalmente acontece...

Dan fala para Dr. Ronaldo Laranjeira:
 Já li a respeito que no EUA alguns médicos receitam a maconha como medicamento. Gostaria de saber para que fins. Em que ocasião?
Dr. Ronaldo Laranjeira:
 Essa é uma questão controversa. Mas para algumas doenças, como câncer terminal e esclerose múltipla, pode ser que possa ter algum benefício para o paciente.

Luô fala para J.D. Rassi:
 A descriminalização da maconha na Argentina, México e Peru, pode ser encarada como um "teste" para o Brasil, visto suas semelhanças legislativas, como até político-econômicas?
J.D. Rassi:
 Sim. Tanto é verdade que estamos tendo discussões recentes sobre a DESCRIMINALIZAÇÃO de quem tem droga para consumo pessoal, que ainda não ocorreu apesar de nossa lei ser de 2006. A idéia é respeitar a liberdade individual de quem quer ser usuário, evitando com que, para adquirir a droga, frequente um ambiente de marginalidade. Não vejo, no entanto, uma preocupação econômica nesse debate. O debate é político e está ligado ao respeito a liberdade individual.

Sandro -viciado fala para Dr. Ronaldo Laranjeira:
 Qual o primeiro passo para me libertar do vício da maconha sem que precise de internação?
Dr. Ronaldo Laranjeira: Dificilmente alguém precisa de internação para parar de usar maconha. O primeiro passo é ter a motivação suficiente para parar. O segundo passo é fazer um plano que funcione para você, ou seja, para de repente ou para as poucos. Os dois podem funcionar, desde que você não faça um plano muito longo.

Eduardo fala para J.D. Rassi: O problema maior da liberação da maconha é porque ela faz mal ou porque o governo não tem como controlar o tráfico e distribuição?
J.D. Rassi: O debate sobre a descriminalização encontra obstáculos de duas naturezas. Uma é moral, onde se entende que o Estado deve controlar o uso da droga independentemente da vontade de quem quer ser usuário ou não. O outro é científico e depende de estudos para se saber até que ponto o consumo de determinada droga gera o vício ou dependência. Não acredito que o fato do Estado não ter condições de controlar a venda seja um empecilho (se é que essa dificuldade existe, lembre-se que a bebida é comercializada normalmente, com arrecadação tributária etc.). 
romano pergunta para Dr. Ronaldo Laranjeira: A maconha realmente acaba com os neurônios? Já ouvi pessoas desmentindo, portanto tenho essa dúvida.
Dr. Ronaldo Laranjeira: Na realidade a maconha não destrói os neurônios, ela desorganiza a química cerebral. O que na prática já é bem negativo. Especialmente para um adolescente que está com o cérebro em formação e formatação. 
marina pergunta para J.D. Rassi: como devo agir caso seja pega pela polícia com uma quantidade pequena de maconha, para consumo próprio? Como os policiais devem proceder? Como devo agir? O que os policiais não podem fazer? 
J.D. Rassi
: Nesse caso, em que se é surpreendido com droga para consumo pessoal, a autoridade deverá conduzir a pessoa ao um distrito policial onde será lavrado um termo circunstanciado. Não pode haver prisão em flagrante. Mais para frente, a pessoa envolvida terá direito a um acordo que poderá consistir no pagamento de cestas básicas, por exemplo, para não responder o processo até o final. Caso contrário, se quiser responder o processo, não há pena de prisão caso seja condenada. Aliás, se não houver esse acordo, a condenação poder ser de “advertência sobre os efeitos das drogas”, “prestação de serviços à comunidade” e obrigação de comparecer em programa ou curso educativo, caso seja condenada.

Maconheiro_nato fala para Dr. Ronaldo Laranjeira:
 Fumo maconha desde os meus 11anos de idade, e me disseram uma vez que ela diminui o numero de espermatozoides, hoje tenho 35 anos, existe a possibilidade de eu ter matado todos meus espermatozóides?
Dr. Ronaldo Laranjeira:
 Existem poucas evidências de que a maconha afete os espermatozóides. Não me preocuparia com isso, mas com os demais aspectos do uso da maconha, como a motivação e a iniciativa e a memória.




Reprodução: Blog Folhateen/ Uol

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