LOGÍSTICA: Plataformas Logísticas
sUma plataforma logística é o local onde se concentra tudo o que diz respeito à eficácia logística. Possui zonas de empreendimentos logísticos e infra-estruturas de transporte, que têm por objectivo melhorar a concorrência entre empresas, desenvolvendo mais a economia, contribuindo assim para criar mais postos de emprego. Estas actividades logísticas visam fornecer meios para as instalações se estruturarem de modo a atingir os objectivos do cliente (industrial ou distribuidor). Para isso é necessário formar-se um grupo de clientes visto que a armazenagem e a estrutura usadas no transporte marcam o espaço (Boudouin, 1996, Cit. por DUBKE et al. - Plataformas Logísticas: características e tendências para o Brasil, p. 2 e Severo Filho, 2006, p. 254).
Uma apreciação mais complexa mostra uma plataforma logística como uma área demarcada onde no seu interior são efectuadas diversas operações (por diferentes profissionais) relativas à logística, transporte, distribuição de mercadorias, tanto para o trânsito nacional como para o internacional. Estes profissionais podem ser proprietários, arrendatários dos edifícios, equipamentos, instalações (armazenagem, oficina) que estão construídos. Uma plataforma deve ser imparcial para todas as empresas interessadas nas actividades acima referidas e fornecer serviços de interesse comum para as pessoas e para os veículos ao serviço dos profissionais. É obrigatoriamente administrada por uma entidade única (pública ou privada). A sua localização deve ser próxima de serviços públicos de modo a que seja possível a realização das operações com mais facilidade e mobilidade (Europlatforms – European Association of Freight Village, 1992, Cit. por DUBKE et al.- Plataformas Logísticas: características e tendências para o Brasil, p. 2).
Zonas de uma plataforma logística
Uma plataforma logística deve ser composta por três zonas (Boudoin, 1996, Cit. por DUBKE et al.- Plataformas Logísticas: características e tendências para o Brasil, p. 2):
- Recepção
- Informação
- Acomodação e alimentação
- Bancos
- Agência de viagens e estacionamento
- Abastecimento e reparos
- Serviços de alfândega
- Comunicação e administração
Zona de serviços de transporte: incluindo estruturas de grandes eixos de transporte A plataforma deve ser multimodal incluindo:
- Transportes rodoviários, ferroviários, marítimos e aéreos
Zona de operadores logísticos: dando condições prestar serviços de:
- Fretamento
- Corretagem
- Assessoria comercial e alfandegária
- Aluguer de equipamentos
- Armazenagem
- Transporte
- Distribuição
Vantagens e desvantagens de uma plataforma logística
De entre as vantagens de se criar uma plataforma logísticas destacam-se (Fernández, 2004, p. 8):
- Ao agrupar os pedidos das empresas, realiza pedidos maiores aos fornecedores, desta forma é possível conseguir-se condições económicas mais vantajosas, dando origem a descontos sobre os volumes de compras.
- Ao construir-se uma plataforma logística, esta consegue armazenar uma boa parte do stock das empresas. Graças a isso diminuía-se o espaço necessário para armazenagem da empresa, podendo utilizar mais espaço para superfície de venda ou de exposição dos seus produtos.
- A plataforma faria os pedidos directamente aos fornecedores, alcançando assim os produtos das cadeias de distribuição. Assim as empresas pediam à plataforma os produtos necessários e estes seriam enviados conjuntamente. Se não existisse plataforma logística as empresas pediam os seus produtos a diferentes fornecedores aumentando o número de transportes necessários.
Uma das desvantagens de uma plataforma logística é:
- Esta ter custos muito elevados dos quais se destacam: operadores, energia, manutenção de maquinaria, etc (Fernández, 2004, p. 8).
Plataformas logísticas em Portugal
Em Portugal pretende-se criar uma rede de plataformas logísticas. Esta rede provem do projecto Portugal Logístico que é constituído por três grupos (Portugal, 2007, p. 11):
- Rede Nacional de Plataformas Logísticas
- Criação de uma estrutura de planeamento e regulação,a partir do ITT (Instituto de Transportes Terrestres) e de diversas sociedades locais
- Acções concertadas ao nível da logística urbana
Pretende-se criar quatro classes diferentes de plataformas (Portugal, 2007, p. 13):
- Plataformas urbanas nacionais – cujo objectivo é optimizarem a economia nacional recorrendo a realização de grandes centros de distribuição e reorganização logísticas dos fluxos de transporte. Devem ser de grande ou média extensão.
Pretende-se fazer duas plataformas localizadas nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto com o objectivo de serem grandes centros de distribuição visto que possuem ligações completas as redes nacionais e internacionais de transportes terrestre e aéreos. - Plataformas portuárias – Situadas próximos dos grandes portos nacionais com o objectivo de auxiliarem a actividade portuária de modo a maximizar a rentabilidade. Se possível ser o elo de ligação entre os transportes portuários e ferroviários Devem ser de grande ou média dimensão.
Devem ser criadas quatro plataformas localizadas próximo dos portos de Leixões, Aveiro, Lisboa e Sines. Tendo como objectivo aproveitar ao máximo a privilegiada localização do país no extremo ocidental da Europa desenvolvendo uma inter-modalidade com as ligações ferroviárias e aumentar o hinterland portuário até Espanha. - Plataformas transfronteiriças – com o objectivo de dinamizar a economia local atraindo investimentos industriais e estender a Espanha os hinterlands portuários. Devem ser de pequena e média dimensão. Devem ser criadas quatro plataformas; Valença, Chaves, Guarda, Elvas/Caia. Têm como objectivo maximizar o fluxo com o exterior.
- Plataformas regionais – Têm o objectivo de reorganizar os fluxos de transportes de modo a fomentarem uma ligação da rede logística. Devem ser de pequena ou média dimensão. Deve ser criada uma plataforma em Tunes com o objectivo de estabelecer equilíbrio territorial na rede do país.
De modo a aumentar a rentabilidade das plataformas logísticas serão criadas centros de carga aérea com o intuito de aumentar a capacidade do fluxo de cargas aéreas concentrando todas a operações no mesmo local, reduzindo os tempos. Devem ser criados centros de carga aérea em Lisboa e no Porto. Por tudo isto existirá um sistema informático que fará com que todas as plataformas logísticas se encontrem interligadas (Portugal, 2007, p. 15).
Com a implementação da rede de plataformas logísticas pretende-se (Portugal, 2007, p. 17):
- Aumentar a eficiência logística desenvolvendo o tráfego de mercadorias englobando 93% da economia e população.
- Potenciar os tráfegos actuais gerando um aumento de 16% da movimentação portuária e um aumento de 3% da carga total movimentada em Portugal.
- Aumentar a eficiência dos operadores logísticos possibilitando uma redução média de 10% nos custos logísticos e um aumento de 15% nos fluxos totais de carga.
- Despertar a competitividade industrial portuguesa que será crucial no reordenamento da logística nacional.
- Analogamente a situações internacionais ao estimular a economia espera-se a criação de mais de 5 mil empregos.
Plataforma Logística de Leixões
PLATAFORMAS LOGÍSTICAS NO BRASIL
Plataforma Logística Multimodal de Goiás
1. Apresentação
Surgidas na França nos anos 60, as plataformas logísticas multimodais são definidas como uma zona delimitada em que se exercem atividades relativas ao transporte, à logística e à distribuição de mercadorias, tanto para o trânsito interno quanto para o internacional. Em muitos casos também incluem bases industriais, resultando em agregação de valor aos mais diversos produtos. É um exemplo de combinação ideal de multimodalidade, telemática, serviços de apoio e otimização de fretes, resultando em maior eficiência no processo e redução de custos. Estimativas indicam que a redução de custos logísticos em plataformas similares pode alcançar até 12%, além de colaborar para redução dos gargalos de transporte e do chamado custo Brasil.
Termos como inteligência logística, convergência agregada, integração de infra-estrutura e diferentes modos de transporte, fazem parte de um conceito de movimentação e distribuição de mercadorias conhecido como plataformas logísticas multimodais.
A primeira dessas centrais de inteligência logística a ser implantada no Brasil é a Plataforma Logística Multimodal de Goiás - PLMG, iniciativa do governo goiano, que será instalada em Anápolis, consolidando a região como um dos principais centros distribuidores do País.
2. Localização Estratégica
Localizada em Anápolis, a 54 quilômetros de Goiânia e 150km de Brasília, centro geográfico do País, situada no entroncamento de importantes vetores logísticos nacionais – rodoviários, ferroviários e aeroviário –, principal rota do agronegócio do País e no centro estratégico do continente sul-americano.

Acessos e conexões:
A plataforma permitirá abrangência nacional e internacional pela integração do projeto aos seguintes eixos logísticos:
- Porto Seco Centro-Oeste S.A. (Estação Aduaneira do Interior – EADI). Conta com ramal da Ferrovia Centro-Atlântica;
- Aeroporto Internacional de Cargas;
- Ferrovia Centro Atlântica. Possui 685 km de malha ferroviária em Goiás e terminais em Goiânia, Anápolis e Brasília. Permitirá conexões aos principais portos marítimos do País;
- Ferrovia Norte-Sul. Quando concluída, permitirá o acesso ferroviário partindo de Anápolis até o porto de Itaqui (MA) e demais conexões com o Norte e o Nordeste do País;
- Rodovias: principamente a BR-153 - permite acessos para Belém (PA) e Passo Fundo (RS) - e a BR-060 - acessos da fronteira com Paraguai (Bela Vista – MS) até Brasília;
- Hidrovia Tietê-Paraná: a 350 quilômetros de distância, na rota de transporte de grãos para o Sudeste, com destino ao porto de Santos.
3. Visão Geral da Plataforma Logística Multimodal de Goiás - PLMG
O projeto global prevê terminais de frete aéreo, aeroporto internacional de cargas, pólo de serviços e administração, centro de carga rodoviária e terminal de carga ferroviária. A área da primeira etapa do projeto foi dotada de infra-estrutura pelo governo estadual (pavimentação, drenagem, instalação de serviços de água, energia elétrica e telefonia) para em breve começar a receber as empresas de logística e distribuição.
4. Infra-estrutura
4.1. Centro de Transporte TerrestreDedicado aos operadores logísticos, transportadoras, redes atacadistas e varejistas e centros de distribuição de empresas.Área Total: 1.870.800 m2 Quadras: 13 Lotes: 44 - variam de 14,6 mil a 82 mil m2 | ![]() |
4.2. Aeroporto Internacional de CargasO Aeroporto Civil de Anápolis será ampliado com recursos financeiros do Estado de Goiás e do Governo Federal. Poderá receber vôos de cargas nacionais e do exterior. A extensão da pista está prevista em 3.000 metros, admitindo aeronaves de grande porte, como DC -10, 747/300 e 707/320.Extensão da pista: 3.000 metros Largura da pista: 45 metros Aeronaves admitidas: DC-10, 747/300, 707-320 | ![]() |
4.3. Terminal de Cargas AéreasO Terminal Aéreo de Cargas será estruturado para estocagem de cargas especializadas e de alto valor.Área total: 383.840 m2 Quadras: 2 Lotes: 18 – variam de 31,2 mil a 45 mil m2 | ![]() |
4.4. Terminal FerroviárioCom configuração e legislação específica, a concessão do setor ferroviário será feita posteriormente à do rodoviário. Será implantado próximo ao Porto Seco, ao longo da Ferrovia Centro-Atlântica, que possui 685 km de malha ferroviária em Goiás e terminais em Goiânia, Anápolis e Brasília, permitindo conexões aos principais portos marítimos do País.Com a conclusão da Ferrovia Ferrovia Norte-Sul, será viabilizado o acesso ferroviário partindo de Anápolis até o porto de Itaqui (MA) e demais conexões com o Norte e o Nordeste do País. O Governo de Goiás, através da Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento iniciou negociações com a VALEC, com o objetivo de viabilizar o marco zero da Ferrovia Norte-Sul (em trecho goiano) dentro da Plataforma Logística Multimodal de Goiás, conferindo outro diferencial competitivo para o empreendimento. Área total: 439.291 m2 Conexões: portos de Vitória, Rio de Janeiro, Santos e boa parte da malha nacional | ![]() |
4.5. Pólo de Distribuição da Zona Franca de ManausA partir de inciativas do Governo do Estado de Goiás e do Estado do Amazonas, as negociações para a implantação de um Entreposto da Zona Franca de Manaus na Plataforma Logística Multimodal de Goiás estão em fase final.Considerada importante instrumento de desenvolvimento regional, a Zona Franca de Manaus é um importante pólo industrial brasileiro, notadamente nos setores eletroeletrônico, duas rodas, relojoalheiro/joalheiro, metal-mecânico, embalagens, químico, ótico, de informática e de componentes eletrônicos, sendo que segundo o Ato de Disposições Transitórias (artigos 40 e 92), os direitos relativos aos incentivos fiscais da ZFM são vigentes até o ano de 2023. Seus produtos destinam-se, em quase sua totalidade, ao atendimento do mercado consumidor brasileiro, em especial os estados das regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste, enfrentando atualmente altos custos de transporte, perdendo competitividade frente às mercadorias internacionais similares. A implantação de um Pólo de Distribuição no Estado de Goiás, de mercadorias produzidas na Zona Franca de Manaus, viabilizaria melhores condições de competitividade, sendo que o transporte de Manaus até a PLMG poderá ser efetuada em grandes volumes, e de forma mais racional pelas empresas interessadas em concentrar ali a distribuição de mercadorias. Apesar de outros estados como Minas Gerais e Pernambuco, também apresentaram propostas nesse sentido, Goiás possui melhores condições de sediar o próximo entreposto. | |
Características:
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4.6. Área de Serviços de ApoioReunirá serviços bancários, alimentação, hospedagem, reparos e abastecimento, estacionamento, central de acolhimento e informações.Área total: 467.000 m2 Quadras: 3 Serviços a caminhões: 128,3 mil m2 Administração: 157,5 mil m2 Hotel e centro de serviços: 151,1 mil m2 | ![]() |
5. Benefícios aos usuários da PLMG
Competitividade: otimização do tráfego de cargas e redução dos custos operacionais
- Instalações físicas adequadas para atender cada perfil de usuário;
- Infra-estrutura (logística e de telecomunicações) com capacidade para executar conexões telemáticas imediatas;
- Zonas de manobra e vias de acesso amplas para a circulação de veículos de carga.
Flexibilidade: logística integrada para atender as exigências dos clientes finais
- Disponibilidade de três modais no local: rodovias, ferrovia e aeroporto, além da Hidrovia Tietê-Paraná;
- Localização conjunta com empresas do setor de transporte e logística, o que permite a inter-relação de cargas e modais;
- Proximidade dos principais pólos de consumo do Centro-Oeste e Sudeste, como Goiânia, Brasília e Triângulo Mineiro.
Confiabilidade: serviços diversificados e tecnologia da informação
- Agências bancárias, despachos aduaneiros, contratação de seguros;
- Serviços de manutenção, limpeza e vigilância, em todas as instalações, com menor custo;
- Disponibilidade de restaurante, posto de abastecimento, oficinas de reparos, hotel, acesso a internet.
Mão-de-obra especializada
- A região de influência da plataforma é servida por importantes centros de excelência de formação profissional e acadêmica, entre eles a Universidade Estadual de Goiás, a Universidade Federal de Goiás e a Universidade de Brasília.
Motivos para as empresas se instalarem
- Otimização de tráfego e cargas, redução de custos operativos,valoração da integração logística, diversificação de serviços, acesso a tecnologia da informação.







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