CAMPANHA PREÇO JUSTO: é a melhor solução?
O vídeo acima apela para uma campanha contra os impostos, tendo a frente o caríssimo Felipe Neto.
Esse vídeo é um viral que tomou conta da internet desde o inicio do último mês.
Nós não apoiamos esse movimento e basta ver o vídeo para saber. A chamada revolução de sofá é típico de integrantes da geração Y, exemplo do Felipe Neto e seu público alvo.
É notório que o Brasil é o país que mais cobra impostos no mundo, tendo uma lista oficial de 85 taxas tributárias, isso foi a única verdade que ele disse no videos e que apoiamos. Uma redução de impostos seria senão viável, ao menos digna de estudo para tal.
O público alvo dele são adolescentes da geração Y, consumistas, imediatistas e que não absorvem direito toda a informação que tem as mãos. Digamos que ele esteja certo na questão, aí vem a pergunta, ótimo, então será que a maioria desses jovens sabem dizer o que é Contribuição ao Funrural? E Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD)? Ou para que serve o Fundo de Combate à Pobreza - art. 82 da EC 31/2000.
Não estou dizendo que os jovens são burros, longe disso, apenas que poderiam ser mais espertos e procurar se informar melhor antes de apoiar a primeira campanha que aparece. Eu sou da geração X, dos movimentos estudantis contra o regime militar e não vai ser um movimento de twitter que vai me fazer mudar.
Mas vamos ao caso específico, os impostos sobre importação.
Em primeiro lugar, vamos focar nesses impostos. Hoje no Brasil, um produto importado paga os seguintes impostos:
IPI - Imposto sobre Produtos Industrializados - aplicável em percentual variável conforme o produto, incide sobre a soma do seu valor CIF mais o valor do II, será debitado automaticamente na conta corrente bancária indicada ao SISCOMEX pelo importador, no ato do registro da DI - Declaração de Importação;
ICMS - Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços - aplicável à alíquota de 18% sobre a soma do valor CIF mais os valores do II e do IPI, pago através de guia de recolhimento bancária antes do desembaraço aduaneiro da mercadoria;
AFRMM - Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante - aplicável à alíquota de 25% sobre o valor do frete internacional, pago ao agente da companhia marítima no momento de liberar o conhecimento de embarque;
Taxa de Armazenagem - cobrada nas importações via marítima e aérea, em percentuais variáveis sobre o valor da mercadoria, por período de tempo;
Taxa de Capatazia - cobrada nas importações via marítima e aérea, em valores variáveis aplicados sobre peso/volumes;
ATAERO - Adicional de Tarifa Aeroportuária - cobrada apenas nas importações via aérea, corresponde a 50% do valor dos serviços aeroportuários, entre os quais armazenagem e capatazia.
É muito? É. podendo até a quadruplicar o valor ou até mais.
Mas uma redução de tributos nesses moldes seria um atraso para o país, aí você pergunta por quê?
Pois bem. O Brasil é um país rico, todos sabemos, e por causa desses tributos que são pagos. Se fosse melhor dirigido, com menos corrupção dos politicos, de nós mesmos, seríamos um país desenvolvido economicamente. Mas o caso é que se não temos a tecnologia aqui para fabricarmos os Ipad´s que ele tanto prioriza, temos os insumos, a matéria prima. Então imagine um tênis recém lançado nos EUA, lá custa R$ 80,00 e aqui R$ 290,00. Mas por quê? A sola do tênis emborrachada, tem a borracha da Amazônia, insumo que esses gringos vem aqui, compram barato e vendem mais caro, pois esses 80 reais não está tão justo assim. É preciso avaliar como vendemos a matéria prima para os países mais ricos repassarem para nó a tecnologia.
Ainda tem a logística, se eu comprar on line, o produto vai chegar até mim e isso tem um valor agregado, seja o produto importado ou não. Eu moro na cidade da Schincariol, da fábrica da Elma Chips e nem por isso pago mais barato pela cerveja ou pelas batatas.
Valor agregado é o que se deve avaliar se é justo ou não, apoio uma campanha para abaixar os impostos dos produtos aqui dentro também. Numa garrafa de coca-cola de 600 ml que pagamos R$ 2,50 em média o estado de SP, ela custa sem impostos custa R$ 1,50, e pagamos R$ 1,00 de imposto. A mesma garrafa lá fora custa R$ 2,55.
Devidos a esses impostos que a indústria paga é que pagamos a conta. Insumos, trabalhadores que participam da fabricação, embalagem, transporte, armazenagem, com todo esse custo ainda tem os impostos
que jogam o preço lá para cima.
Se for para colher um milhão de assinaturas afim de abaixar o preço interno em primeiro lugar, pois esse sim seria o primeiro passo, apoiamos sem questionamentos.
Não julgamos a atitude do Felipe Neto, nem queremos influenciar nossos leitores apenas explicar a situação e apontar uma alternativa mais viável para baixar os impostos.
A decisão é de cada um.
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